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  • Nosso planeta pede socorro!!!

    Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) | Fonte: Direção-Geral da Educação

    Discorrer no post anterior sobre os lixos plásticos que infestam os oceanos, impactando negativamente na sobrevivência dos habitantes marinhos, me deixou de “cabelos em pé” diante do futuro nada promissor que estamos deixando para as próximas gerações. Encerrei o artigo questionando o que fazer e, sabiamente, a Carmo deixou o seu comentário: 

    É difícil encontrar uma solução, mas sabemos que a conscientização da população mundial seria o primeiro passo, né Bia! É necessário e urgente uma educação direcionada, mais rígida. Quiçá… nossos governantes venham a se importar com essa situação…

    Exatamente!!! Penso da mesma forma e torço para que ainda dê tempo para salvar, não só os nossos mares e oceanos, mas o nosso planeta que carece de tanta consciência em relação à pegada ecológica.

    Mas, o que é pegada ecológica?

    Segundo um artigo do Me. Rodolfo Alves Pena, publicado no Brasil Escola, é um conceito criado para representar a relação entre o consumo, exploração e utilização dos recursos naturais e a capacidade do planeta em repor tais elementos naturalmente. Em outras palavras, significa a qualificação do planeta em suportar as atividades humanas e o que falta para garantirmos uma sociedade sustentável, ou seja, que utilize os recursos naturais sem comprometer sua disponibilidade para as futuras gerações. Refere-se também à quantidade de resíduos que produzimos em relação aos limites de quanto o planeta consegue absorvê-los e transformá-los em recursos ao longo do tempo.

    Essa relação entre o uso de recursos naturais e produção de lixo, com a velocidade de reposição do planeta é chamada de biocapacidade. Um importante conceito que retrata o quanto o nosso planeta consegue suportar em relação às atividades humanas, sem perder seu espaço natural. Se o nosso nível de consumo for maior do que aquilo que pode ser reposto pela natureza, significa que estamos vivendo em uma sociedade não sustentável, representando uma ameaça à manutenção da vida no nosso planeta. E adivinhem? Segundo Pena, os cálculos realizados apontam que a biocapacidade do planeta é de 2,1 hectares por ano, enquanto o nosso consumo aponta para 2,7 hectares anuais, revelando, infelizmente, uma pegada ecológica negativa.

    Algumas organizações ambientais e ONGs afirmam que se todos os países estivessem mantendo o mesmo nível de consumo das grandes potências econômicas, seriam necessários quatro planetas iguais ao nosso para manter uma biocapacidade equivalente. Por esse motivo, a despeito desses dados cada dia mais alarmantes, preciso “botarmos a mão na consciência” e buscarmos novas formas de reduzir o consumo, no intuito de garantir uma sociedade verdadeiramente sustentável em todo o globo terrestre. Razão pela qual, conforme mencionou a Carmo em seu comentário, é crucial que nossos governantes venham a se importar com essa situação. A boa notícia é que ainda resta um fio de esperança…

    Isso mesmo! Diante deste quadro deveras assustador, a Organização das Nações Unidas inseriu a Agenda Mundial de Desenvolvimento Sustentável durante a Cúpula das Nações, em setembro de 2015. Na época, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), desdobrados em 169 metas, se tornaram uma forma de provocar o mundo inteiro,  num esforço para que as pessoas e o planeta estejam interligados e caminhem para um mundo mais sustentável, garantindo que até 2030 todas as pessoas desfrutem de paz, sustentabilidade ambiental, justiça e igualdade.

    Pode até parecer utópico, mas nesta Agenda acredita-se que a ação em uma área afetará os resultados em outra e o desenvolvimento deve equilibrar a sustentabilidade social, econômica e ambiental. Neste sentido, estão previstas ações mundiais nas áreas de erradicação da pobreza, segurança alimentar, agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, redução das desigualdades, energia, água e saneamento, padrões sustentáveis de produção e de consumo, mudança do clima, cidades sustentáveis, proteção e uso sustentável dos oceanos e dos ecossistemas terrestres, crescimento econômico inclusivo, infraestrutura, industrialização, entre outros.

    Vale ressaltar que apesar das dificuldades, os ODS têm um grande poder mobilizador, pois são uma agenda positiva, de oportunidades, e podem favorecer a maior articulação entre os diferentes setores e forças políticas. A discussão sobre financiamento, assistência técnica e descentralização de capacidades no território, o envolvimento de estados e municípios e a articulação entre governos, sociedade civil e setor privado são as questões decisivas para uma implementação bem sucedida. 

    Trata-se, portanto, de um apelo que nasce da necessidade de engajar e conscientizar a sociedade a respeito de seu papel e dos esforços necessários para que o cumprimento da Agenda 2030 seja bem-sucedido, zelando, prioritariamente, para que o entendimento dos ODS perpassa a concepção de uma mera relação de aspirações e boas intenções, de forma que seja objeto de diálogos e esforços conjuntos, e que os objetivos e princípios que os fundamentam, sejam enraizados nas ações e condutas gerais de toda população mundial.

    Para que possamos ter uma ideia da evolução desses objetivos, oito anos depois, muita coisa avançou, outras, nem tanto. Rodrigo França, presidente do Instituto de Desenvolvimento e Sustentabilidade Humana, avalia que alguns dos objetivos ainda exigem um esforço significativo para serem alcançados, citando que a mudança climática, por exemplo, é uma ameaça crescente para a realização dos ODS, já que pode agravar a pobreza e a fome e dificultar o acesso à água potável e saneamento. Entretanto, destaca que foi possível identificar progresso significativo em muitas áreas  e que, em termos gerais, um relatório das Nações Unidas de 2021 sobre os ODS aponta que antes da pandemia da COVID-19 houve avanços em diversas áreas como redução da pobreza extrema, avanços na educação primária, melhorias no acesso à eletricidade, no acesso à água potável e saneamento básico e um aumento substancial no investimento e na capacidade de geração de energias renováveis, como solar e eólica, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

    Contudo, apesar de algumas conquistas importantes, os 17 objetivos estão longe do ideal. Existem várias áreas em que as mudanças não avançaram o suficiente e que são consideradas urgentes.  Dentre elas, a disparidade na distribuição de renda e riqueza é um obstáculo para alcançar muitos dos ODS, sendo fundamental adotar políticas e medidas para reduzir as desigualdades e promover a inclusão econômica. A fome e a insegurança alimentar também estão aquém das expectativas, sendo essencial garantir o acesso universal a alimentos nutritivos e suficientes, promover práticas agrícolas sustentáveis e resilientes às mudanças climáticas, além de fortalecer os sistemas de produção de alimentos e as cadeias de abastecimento. A pandemia da COVID-19 destacou a importância da saúde global, evidenciando enormes deficiências nos sistemas de saúde e nas capacidades de resposta, mostrando a necessidade urgente de fortalecer os sistemas de saúde, melhorar o acesso a serviços de qualidade, incluindo a vacinação, a fim de garantir uma cobertura universal de saúde para todos.

    Essas são apenas algumas das mudanças que não avançaram e requerem atenção prioritária, sendo importante lembrar que todos os ODS estão interconectados, e o progresso em uma área pode impulsionar em outras, uma vez que esforços coordenados e colaborativos são necessários para enfrentar esses desafios e alcançar os ODS até 2030, conforme destaca França no artigo da Exame. Posto isso, a concretização dos ODS dependerá, não apenas do compromisso dos governos, mas também do envolvimento de todos nós, cidadãos do planeta Terra. As crianças e os jovens são as prioridades nesta ação global de participação e a escola é, sem dúvida, a peça-chave para orientar acerca desta agenda global, inspirar e incentivá-los a participarem no desenvolvimento das comunidades.

    Assim, também podemos contar com A Maior Lição do Mundo, uma iniciativa internacional que objetiva contribuir para a reflexão e ação no âmbito dos ODS, envolvendo todas as crianças e jovens na consciencialização do papel de cada um na construção de um mundo mais seguro, mais saudável e mais sustentável. Afinal, de acordo com a Unicef, crianças, adolescentes e jovens precisam de um espaço para se envolver com aqueles que vão colocar os ODS em prática. Os jovens podem ajudar a mudar sua própria vida e suas comunidades – elas têm ideias, energia ilimitada para a ação e maior participação no futuro. Capacitadas e fortalecidas pelo conhecimento e pela consciência dos seus direitos e das necessidades urgentes do mundo, elas podem garantir que os gestores cumpram os compromissos assumidos. Bela iniciativa, vocês não acham? 

    Ainda mais neste momento crítico, em que a Guerra na Ucrânia vem intensificando as desigualdades globais, a Agenda 2030 e seus ODS permanecem como o caminho mais adequado a seguir, não apenas rumo à recuperação, mas à reconstrução de um mundo melhor, sem deixar ninguém para trás. Que possamos refletir de que maneira contribuir para não deixarmos ninguém para trás!!!

    ~ Bia ~ 

  • É o fim das tartarugas marinhas num mar de lixo sem fim?

    Fonte: Blog do Pedlowski

    Estava aguardando o final deste mês para falar de 3 eventos comemorativos que se destacaram em junho e que acredito estarem intimamente interligados: o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no dia 5, o Dia Mundial dos Oceanos no dia 8 e o Dia Mundial da Tartaruga Marinha no dia 16. Mas… por que estas datas estão correlacionadas?  Porque, assustadoramente, milhares de tartarugas marinhas estão sendo massacradas nos oceanos que se tornaram verdadeiros depósitos de lixos!!! 

    Difícil acreditar, mas as tartarugas marinhas que são animais pré-históricos e que estão entre nós há, pelo menos, 120 milhões de anos, convivendo até mesmo com os dinossauros e que vieram resistindo bravamente a todas as mudanças que levaram muitas espécies à extinção, estão na iminência de desaparecer deste planeta. 

    A fim de conhecê-las melhor é interessante saber que existem apenas sete espécies de tartarugas marinhas no mundo. São répteis que passam a vida inteira no mar, exceto quando as fêmeas vão às praias para desovar. Por serem migratórias, atravessam oceanos de um continente a outro para se reproduzirem e cada fêmea bota, em média, 130 ovos por ano. O curioso é que, pasmem, de cada 1000 filhotes, somente uma ou duas tartarugas chegarão à idade adulta, enquanto as demais irão servir de alimento para uma vasta cadeia ecológica.Infelizmente, o efeito cascata da atividade humana causou um rápido declínio das tartarugas marinhas e seis das sete espécies estão ameaçadas de extinção. O lixo é, de longe, a maior ameaça à sua sobrevivência. No mar, o plástico vira uma armadilha para as tartarugas marinhas, aprisionando-as em pedaços de redes e outros apetrechos, que se enroscam em seus corpos, levando-as à morte. Caso ocorrido, por exemplo, em julho do ano passado em que 30 a 50 tartarugas marinhas foram encontradas mortas em uma praia na ilha de Kumejima, a 1.600 quilômetros a sudoeste de Tóquio, no Japão, deixando a população local estarrecida diante da lamentável cena dantesca. 

    Casos semelhantes vêm sendo constatados em outros locais pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) destacando que, pelo menos, 43 países já registraram tartarugas marinhas envoltas em cordas de plástico, embalagens, cordas de balões e tiras de bebidas enlatadas, alertando que cerca de 1000 tartarugas morrem a cada ano como resultado desse tipo de lixo. Um estudo publicado na Scientific Reports aponta que as tartarugas marinhas que ingerem apenas 14 pedaços de plástico têm um risco aumentado de morte, sendo que as mais jovens estão especialmente em risco porque não são tão seletivas quanto as mais velhas sobre o que comem. Como um dos alimentos favoritos das tartarugas é a água-viva, cujo movimento na água se assemelha ao saco plástico flutuando na superfície do mar, é comum confundirem suas presas e ingerirem esses detritos espalhados pela poluição humana. Algumas passam fome depois de fazer isso, acreditando erroneamente que já comeram o suficiente porque seus estômagos estão cheios e, desnutridas, acabam morrendo!!! 

    Para que possamos ter uma noção da extensão do problema dos plásticos oceânicos, a The Ocean Cleanup, uma organização sem fins lucrativos que desenvolve e amplia tecnologias para livrar os oceanos do plástico, ilustra a foto dos detritos que estavam no estômago de uma tartaruga marinha encontrada morta no Oceano Pacifico:

    Fonte: Pew Charitable Trusts

    E não são só as tartarugas que estão morrendo não! De acordo com o Pew Charitable Trust, “nosso oceano e a variedade de espécies que o chamam de lar estão sucumbindo ao veneno do plástico. Exemplos não faltam, desde a baleia cinzenta que morreu depois de encalhar perto de Seattle em 2010 com mais de 20 sacolas plásticas, uma bola de golfe e outros detritos em seu estômago até o filhote de foca encontrado morto na ilha escocesa de Skye, com os intestinos contaminados por um pequeno pedaço de invólucro de plástico”. Conforme as Nações Unidas, pelo menos 800 espécies em todo o mundo são afetadas por detritos marinhos, e até 80% desse lixo é plástico, estimando-se que até 13 milhões de toneladas métricas de plástico acabam no oceano a cada ano – o equivalente a uma carga de lixo ou caminhão de lixo por minuto. Consequentemente, nós também não estamos imunes a essa ameaça pois como também fazemos parte da cadeia alimentar, o plástico que contamina a água e afeta a biodiversidade marinha chega também à nossa alimentação.

    Inclusive, no artigo de Jennifer Ann Thomas, para Um Só Planeta, o oceanógrafo Alexander Turra, responsável pela Cátedra Unesco para Sustentabilidade dos Oceanos atenta que “a poluição prejudica a biodiversidade e os processos da natureza, o que também gera impacto nos benefícios que os oceanos garantem para a humanidade. A sujeira extrapola a superfície dos oceanos, comprometendo o funcionamento e a saúde do mar. Faz com que a espécie humana coloque em risco a própria vida no planeta, pois dependemos do oceano”. 

    Desse modo, a menos que sejam tomadas medidas urgentes para resolver esse problema, os cientistas preveem que o peso dos plásticos oceânicos excederá o peso combinado de todos os peixes nos mares até 2050. E certamente será o fim das tartarugas marinhas num mar de lixo sem fim!!! O que fazer?

    ~ Bia ~

  • “Podemos fazer tudo que quisermos se formos perseverantes”

    Helen Keller lendo um livro em braille (1960) | Fonte: Escola Perkins para Cegos

    Foi com essa frase que iniciei e transcrevi em escrita de língua de sinais (SignWriting), as primeiras páginas da minha tese de doutorado. Sabe por que? Porque a autora desta frase é a minha maior inspiração de que tudo é possível se eu não desistir e… persistir!!! 

    Hoje, 27 de junho, é o aniversário de Helen Keller (1880-1968) e o mundo comemora, em sua homenagem, o Dia Internacional da Pessoa Surdocega.  A data foi escolhida porque ela foi a primeira pessoa surdocega a entrar para o ensino superior, tornando-se um exemplo de superação e coragem, bem como defensora dos direitos das pessoas com deficiência, escritora, ativista política e oradora pública. Estadunidense, ela perdeu a visão e a audição devido a uma doença ainda bebê (19 meses) e foi somente após Anne Sullivan, uma determinada professora de 20 anos da Escola Perkins para Cegos, colocar a sua mão sob uma fonte e soletrar a palavra “água” com a palma da mão, que ela começou a interagir com o mundo que a cercava. Até então, era uma menina de 7 anos temperamental e hostil, mas como ela conta em sua autobiografia, “A História da Minha Vida”, Anne Sullivan resgatou-a de um “silêncio sombrio e sem som”. A partir desse encontro em que Helen Keller descreve que nem mesmo sua mãe conseguia se comunicar com ela e que com uma pequena palavra dos dedos da mão de uma mulher, uma luz de outra alma tocou sua vida, ela encontrou um propósito para viver e durante o período em que trabalhou para a Fundação Americana para Cegos, de 1924 a 1968, viajou mundo afora dando palestras, promovendo a causa e defendendo a educação e o bem-estar das pessoas com deficiência, enquanto inspirava com sua história pessoal, demonstrando resiliência para superar desafios. 

    Segundo o escritor Patrick Parr, o maior impacto social de Keller pode ser encontrado no Japão. Em 1934, o fundador do Nippon Lighthouse, Takeo Iwahashi, viajou para Nova York, no intuito de convidar Helen Keller a visitar o Japão. Naquela época, Anne Sullivan implorou que ela aceitasse o convite e ajudasse os cerca de 160.000 cegos e 100.000 cidadãos surdos do país, pois apenas 4.000 deles (de acordo com Iwahashi) estavam recebendo uma educação precária. Sullivan faleceu em 1936, deixando Keller com o coração partido e com um desejo imenso de atender ao pedido de sua melhor amiga. Em 15 de abril de 1937, Helen Keller e Polly Thomson (seus “olhos e ouvidos”) desembarcaram na Baía de Yokohama após uma longa viagem de duas semanas pelo Pacífico a bordo do Asama Maru (o avião não era um meio de transporte disponível naquela época) e ela passou 10 semanas visitando 33 cidades, enquanto transmitia sua mensagem de luz e esperança para mais de 1 milhão de pessoas, dando início a um legado que permanece até hoje. Em novembro de 1937, os jornais japoneses noticiaram que o país começaria a fazer planos para novos “lares” para cegos, contendo clínicas oftalmológicas, instalações para orientação vocacional e biblioteca em braile. Keller voltaria ao Japão mais duas vezes e, a cada visita, novas associações de apoio para deficientes eram criadas graças a um aumento na arrecadação de fundos, sendo que um desses programas tornou-se a Tokyo Helen Keller Association, estabelecida em 1950 e que, ainda hoje, permanece ativa no bairro de Shinjuku, na capital japonesa. Após sua morte em 1º de junho de 1968, o governo japonês concedeu-lhe a Ordem do Tesouro Sagrado. Em 1971, a diretoria do Lions International designou o dia 1º de junho para incentivar os Leões de todo o mundo a oferecer serviços relacionados à visão, levando a Chiba Eye Bank Association, fundada em 1985 pelo Lions Club 333-C District em Chiba, a perpetuar o legado e as conexões de Helen Keller com o Japão, dedicando em 1º de junho de 2011, uma estátua de bronze em sua homenagem.

    Estátua de Helen Keller​ no Japão | Fonte: Wander Women Project

    A vida de Helen Keller continua a inspirar muitas pessoas ao redor do mundo, motivo pelo qual a homenagem que prestamos no dia de seu nascimento é propícia para falarmos sobre a surdocegueira, que ainda hoje não recebe tanta visibilidade. Imagine viver no silêncio e no escuro. Imagine viver sem saber ou poder se comunicar. Imagine viver sem ter o acesso aos direitos básicos que todo o ser humano deveria ter. Infelizmente essa é a realidade de muitos brasileiros acometidos pela surdocegueira, conforme mencionei anteriormente nos posts Perda de visão após a surdez, Surdocegueira: surdo e cego ao mesmo tempo e Afinal de contas, o que é Síndrome de Usher? 

    São inúmeros os desafios enfrentados por nós, surdocegos e mais do que ninguém, sabemos o quão essencial é a nossa inclusão na sociedade. Certamente a comunicação é a maior barreira a ser superada, variando de acordo com o grau de comprometimento da visão e audição, associado aos estímulos que cada pessoa surdocega vai receber ao longo da vida. No entanto, Helen Keller nos incentiva que, com perseverança, temos a capacidade de vencer os obstáculos e as limitações.

    Mas para chegar a essa condição, sabemos que um importante avanço ainda é necessário na área educacional, uma vez que há carência de profissionais especializados e de recursos de tecnologia assistiva. Obviamente, muitas e muitas ações ainda precisam ser colocadas em prática para que possamos participar ativamente de todos os processos que nos cercam. Sem contar que o ingresso no mercado de trabalho é outro grande desafio enfrentado pela comunidade surdocega, que raramente encontra portas abertas para mostrar suas potencialidades profissionais.

    Apesar do longo percurso que ainda temos que desbravar, enquanto preparava este artigo, recebi uma boa notícia! A lei que cria o Dia Nacional da Pessoa com Surdocegueira, celebrado em 12 de novembro, foi publicada no Diário Oficial na quarta-feira da semana passada (21/06). A data, que agora passa a ser oficialmente comemorada, é uma vitória pois essa conquista ajuda a conscientizar a população brasileira sobre as necessidades específicas de organização e de políticas públicas para a inclusão social, combate ao preconceito e discriminação dos surdocegos que, com base no Censo de 2010, leva a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis) a estimar que o país tenha cerca de 40 mil pessoas com diferentes graus de surdocegueira, que pode ser congênita, desde o nascimento; ou adquirida, quando os sentidos da visão e da audição são afetados ao longo da vida.

    Segundo Laís Drumond, coordenadora social da Feneis, a nova lei traz o ponto de vista da população surdocega que sofre com a luta e as barreiras para ter acesso aos seus direitos, que são únicos e diferentes da população cega e da população surda, uma vez que os surdocegos tem uma identidade única e precisam de maior inclusão social. Ela destaca que os brasileiros não acessam informações sobre a comunidade surdocega, uma população pequena e quase invisibilizada, sendo imprescindível aumentar o acesso às informações sobre os direitos desse segmento, doenças que podem causar surdocegueira, orientações sobre saúde e acesso aos serviços. Para Laís, a garantia do direito do surdocego também perpassa pelo desenvolvimento de comunicações táteis, que é como muitos surdocegos acessam o mundo, além de uma boa capacitação de profissionais de apoio, como guias, cuidadores e familiares.

    Dito tudo isso, ​​embora tenhamos que enfrentar “trocentos” obstáculos no tocante à comunicação e mobilidade, a promoção da inclusão, conforme tão intensamente propagou Helen Keller, é fundamental para que, não apenas os surdocegos, mas todas as pessoas com qualquer outra deficiência possam demonstrar suas potencialidades, conquistarem autonomia e terem participação efetiva na sociedade. E, especialmente para nós, surdocegos, a inclusão nos ajuda a sairmos do isolamento, fazendo com que tenhamos acesso à informação e conhecimento, interagindo com o mundo e demais pessoas à nossa volta. Como minha mãe sempre diz que, nem tudo são flores, mas superando com otimismo e determinação as adversidades da vida, é possível alcançar a luz que brilha no final do túnel, estamos o tempo todo lidando com incertezas, porém, com persistência, fé em Deus e acreditando em dias melhores, tudo dá certo no final das contas. Afinal, Helen Keller nos ensina que “a sutileza da nossa visão não depende do quanto somos capazes de ver, mas do quanto somos capazes de sentir”. Sábias palavras…

    ~ Dani ~

  • Aperto de mão…

    Fonte: Site de Curiosidades

    Como diz um velho ditado que “depois da tempestade vem a bonança”, podemos comemorar a data de hoje apertando a mão. Simmm… até o aperto de mão tem o seu dia especial e hoje, 21 de junho, é o Dia Internacional do Aperto de Mão! Felizmente hoje podemos apertar a mão!!! Durante quase 3 anos a pandemia da covid-19 impôs novas formas de cumprimentar as pessoas e o tão utilizado aperto de mão precisou ser deixado de lado, tornando-se um risco de contaminação e fazendo com que grande parte da população mundial passasse a adotar o “soquinho” ou apenas o aceno em substituição ao caloroso aperto de mão.

    Este gesto, que pode valer mais do que mil palavras, é um dos cumprimentos mais antigos da humanidade. A evidência mais antiga está em uma imagem gravada em um trono do antigo Império Assírio, do século 9 a.C., que mostra dois homens apertando as mãos. Naquela época, presume-se que só se apertaria a mão de alguém se fosse para resolver um conflito ou selar um acordo. Assim, por ser um gesto milenar, a origem exata é incerta, mas historiadores acreditam que o aperto de mão seria um gesto de boa vontade, onde o homem primitivo, que andava sempre armado, estendia a mão vazia, para mostrar a alguém que não portava armas e desejava a paz, razão pela qual as mulheres, que não carregavam armas, tampouco tinham o hábito de apertar a mão. Alguns dos primeiros registros do aperto de mão como cumprimento datam do século XVII, mas acredita-se que ele tenha sido popularizado na Europa e Estados Unidos no século XVIII pelos quakers, um movimento religioso que prezava pela igualdade entre seus membros. Com o enfraquecimento das monarquias, o aperto de mão se tornou cada vez mais comum, passando a entrar até em manuais de etiqueta no século XIX.

    Hoje em dia o aperto de mão é um gesto social que expressa respeito e cordialidade, sendo uma forma de cumprimento usada no fortalecimento das transações comerciais na maioria dos países europeus e ocidentais. Além disso, o aperto de mão tem sido amplamente difundido e adotado como cumprimento e despedida nas mais variadas ocasiões sociais, utilizado até mesmo como um ritual para demonstrar paz ou selar um acordo, conforme podemos observar antes de uma partida esportiva ou de um debate entre políticos rivais. Sem contar que com a crescente participação de mulheres no mundo corporativo, está cada vez mais evidente que elas passaram a substituir o beijo por um cordial aperto de mão. Afinal, o aperto de mão é uma das melhores formas de cumprimentar as pessoas que não têm tanta intimidade para se abraçarem, não é mesmo?

    Como o nosso corpo expressa sinais que estão além das palavras, você sabia que a forma como cumprimentamos ao apertar a mão pode revelar a nossa personalidade e as emoções que estamos sentindo no momento? Isso mesmo! Esse gesto, aparentemente tão corriqueiro, está repleto de significados. De acordo com José Roberto Marques, um dos pioneiros em Coaching no Brasil, os tipos mais comuns de aperto de mão são: 

    1. Palma das mão suada:

    O suor pode ocorrer por diversos motivos, incluindo um descontrole das glândulas sudoríparas, como em um dia quente. Entretanto, em muitos casos, o indivíduo com as mãos suadas está tenso ou preocupado com determinada situação, sendo bastante comum que esse tipo de aperto de mão aconteça com pessoas que estão sendo entrevistadas em um processo seletivo.

    2. Frouxo

    Trata-se de um tipo de aperto de mão sem firmeza, em que o toque quase não é sentido pelo outro. Pode ser sinônimo de baixa autoestima e insegurança. Também pode ser entendido como antipatia ou falta de interesse em entrar em contato com a outra pessoa.

    3. Excessivamente forte

    Pessoas que apertam as mãos do outro com excesso de vigor e, em seguida, soltam de forma rápida, querem demonstrar que estão tentando controlar a situação. Elas podem estar nervosas ou ter um temperamento naturalmente controlador. É importante ficar cauteloso para não machucar o outro nesse tipo de cumprimento.

    4. Com as duas mãos

    Esse tipo de cumprimento, em que a mão esquerda também é utilizada, significa que se quer passar a sensação de aconchego, simpatia e confiança. Entretanto, existe um detalhe que deve ser observado: se a mão esquerda ficar sobre as outras mãos, trata-se de um aperto de mão sincero. No entanto, se a mão vai até o seu pulso, braços ou cotovelo, essa pessoa está tentando obter algo de você.

    5. Com puxão

    Nesse caso, você sente a sua mão sendo puxada ou fortemente guiada, o que pode ser em direção a uma cadeira ou outra área do local em que os envolvidos estiverem. As pessoas que fazem isso são controladoras e estão tentando dominar você. Esse puxão pode ser visto também como falta de respeito e excesso de emoção.

    6. Com movimento horizontal

    O aperto de mão em que a pessoa faz movimentos na horizontal, balançando as mãos, demonstra um grande entusiasmo ao encontrar a outra pessoa. Trata-se de um indivíduo amigável e que deseja compartilhar a sua energia positiva.

    7. Nos dedos

    Quando alguém segura apenas os seus dedos e não a sua mão inteira ao cumprimentá-lo, é sinal de que deseja mantê-lo distante, talvez por insegurança. Se essa pessoa apertar os seus dedos, pode ser um sinal de demonstração de poder, mas também com o objetivo de manter certa distância. Já aquele que oferece as pontas dos dedos para que você aperte demonstra que é um indivíduo despreocupado e que não gosta de estar no controle das situações.

    8. “Esmagador de ossos”

    Essa é uma forma de cumprimento utilizada para intimidar e demonstrar que se tem controle sobre a situação. Vai muito além de um aperto de mão firme tradicional e pode causar até mesmo dor com a força empregada. Entre amigos, pode ser uma brincadeira, mas, fora desse contexto, indica intimidação.

    9. Rápido

    Trata-se de um cumprimento que não dura mais do que alguns segundos. Quem age dessa forma demonstra que está apressado e que gosta de conversar objetivas e de ir direto ao ponto. Esse comportamento se estende à sua forma de ser, sempre com foco na ação.

    10. Na horizontal

    Nesse caso, ao invés de manter a mão em uma posição vertical, a pessoa segura a sua na horizontal, mantendo a dela por cima. Isso significa que ela se sente superior a você. Nos casos em que a mão é posicionada embaixo, pode ser um sinal de submissão.

    11. Com o braço estendido

    Enquanto essa pessoa aperta a sua mão, ela estende o braço para que você não chegue perto dela. Essa é uma demonstração de que ela precisa de espaço e prefere que você não se aproxime. Se quiser uma aproximação, dê o espaço físico e emocional que ela está pedindo. Pode indicar medo ou insegurança.

    12. “Soquinho”

    Por fim, essa é uma versão mais recente do aperto de mão, em que as duas pessoas fecham os punhos e dão um leve “soquinho”. Trata-se de uma saudação informal, que demonstra amizade e informalidade. Assim, ela é indicada apenas para ambientes descontraídos, quando se está entre amigos.

    Desse modo, José Roberto Marques aconselha que para transmitirmos uma boa impressão, existe uma forma ideal de cumprimentar que consiste, basicamente, em estender o braço a uma distância razoável do corpo e apertar a mão da outra pessoa com firmeza, sem exagerar, durante cerca de, pelo menos, dois segundos. Enquanto isso, é importante sorrir, olhar no olho e verbalizar um cumprimento, pois agindo dessa forma, poderemos passar uma imagem positiva e educada. Outra dica legal é que devemos, imprescindivelmente, levantar se estivermos sentados. 

    Quem diria que um simples aperto de mão pode nos passar informações sobre a outra pessoa como também expor o nosso momento e o que pensamos dela, hein? Muito proveitoso essas dicas que podem nos ajudar a cumprimentar as pessoas de forma mais adequada, vocês não acham? 

    ~ Bia ~

  • Violetas contra a violência

    Fonte: Prefeitura de Telêmaco Borba

    Você já percebeu que no calendário de datas comemorativas existem diversas campanhas de conscientização que são representadas por meses coloridos? Essas campanhas são feitas ao longo do ano para conscientizar o máximo de pessoas possível sobre os temas abordados como, por exemplo, o Abril Azul (mês de conscientização do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Setembro Amarelo (mês de prevenção ao suicídio). Desse modo, não é de se estranhar que no mês de junho tenhamos 3 campanhas coloridas que merecem destaque: Junho Vermelho que incentiva a população sobre a importância da doação de sangue, Junho Verde voltado para as reflexões em relação às questões e desafios socioambientais e Junho Violeta, tema deste post, que incita contra a violência da pessoa idosa.

    Isso mesmo! Dia 15 de junho marca o Dia Mundial da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. A data foi instituída em 2006 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Rede Internacional de Prevenção à Violência Contra à Pessoa Idosa, visando sensibilizar a sociedade em prol do combate à violência contra idosos e a disseminação do entendimento da violência como violação aos direitos humanos. Para tanto, o Estatuto do Idoso, que regula os direitos das pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, estabeleceu no Artigo 4 (quarto) que “nenhum idoso/idosa será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido, na forma da Lei”. 

    Não há como negar que o Brasil está envelhecendo. Para se ter uma ideia, segundo os dados da PNAD Contínua – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tinha, em 2022, mais de 31 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, perfazendo 14,7% da população total do país. Projeções apontam que em 2030 o número de pessoas idosas ultrapassará o número de crianças e adolescentes até 14 anos e em 2050, haverá duas vezes mais idosos do que crianças em terras brasileiras. Diante destes dados, é preciso promover ações para prevenir a discriminação e a violência contra idosos, uma vez que, de acordo com informações divulgadas pela Agência Brasil no início deste mês, “só nos primeiros cinco meses de 2023, o Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), recebeu mais de 47 mil denúncias de violência cometida contra pessoas idosas, que apontam para cerca de 282 mil violações de direitos como violência física, psicológica, negligência e exploração financeira ou material”. 

    Frente a esta crueldade, a campanha Junho Violeta tem como objetivo despertar a população, os governantes, as instituições públicas e também as instituições não governamentais, inclusive religiosas, para esta gravíssima questão que é a violência contra as pessoas idosas, que são e estão quase sempre fragilizadas física, mental, material e emocionalmente. Mas… Você sabe por que a violeta foi escolhida para ser o símbolo da luta contra a Violência ao Idoso? Porque o tema, deveras chamativo, sugere que, ao invés de se violentar um idoso, dê a ele uma violeta em sinal de gratidão por tudo que representa nesta existência. Afinal, a delicada violeta, além da sua singela beleza, é uma flor que carrega uma série de simbolismos e, dentre os muitos significados à ela associados, é considerada símbolo de sabedoria e conhecimento na mitologia indiana. Por isso, presentear nossos queridos “velhinhos” com um lindo vasinho de violetas é perfeito para expressar afeto e carinho, não é mesmo?

    Desse modo, essa campanha nos leva à reflexão sobre a realidade que nos cerca, seja no ambiente familiar, na comunidade, nas igrejas, nas escolas, nos locais de trabalho, no transporte público, nos instigando a “botar a mão na consciência” se estamos ou não tratando nossos idosos e idosas com dignidade e com o devido respeito. Assim, é interessante saber que dentre os principais tipos de violência contra as pessoas idosas, a Secretaria de Educação do Governo  de Santa Catarina aponta que a mais comum é a negligência, quando os responsáveis pelo idoso deixam de oferecer cuidados básicos, como higiene, saúde, medicamentos, proteção contra frio ou calor. O abandono vem em seguida e é considerado uma forma extrema de negligência. Acontece quando há ausência ou omissão dos familiares, ou responsáveis, governamentais ou institucionais, de prestarem socorro a um idoso que precisa de proteção. Outro tipo de violência é a violência física, quando a agressão física é usada para obrigar os idosos a fazerem o que não desejam, provocando ferimentos, dores, incapacidade ou até a morte. A psicológica ou emocional é a mais sutil das violências. Inclui comportamentos que prejudicam a autoestima ou o bem-estar do idoso, entre eles, humilhação, constrangimento, destruição de propriedade ou impedimento de que vejam amigos e familiares. Por último, a violência financeira ou material consiste na exploração imprópria ou ilegal dos idosos ou o uso não consentido de seus recursos financeiros e patrimoniais”.

    Posto isto, para que possamos compreender tais atrocidades, muitas vezes marcada pela tristeza e solidão que afetam principalmente os idosos que envelhecem na pobreza, na miséria e no abandono, é essencial abordar essa questão da violência contra essas pessoas em um contexto socioeconômico, político e institucional, não apenas combatendo a forma desumana em que vivem milhões de pessoas em sua fase final da existência, mas também resgatando a dignidade e qualidade de vida que eles merecem.

    Precisamos e devemos, sim, ir além deste simples despertar de nossas consciências individuais. É necessário, de fato, lutar para que os direitos e garantias voltados à proteção das pessoas idosas sejam plenamente respeitados, cumpridos integralmente e não apenas objeto de estudos, seminários, discursos, orações e boas intenções, conforme enfatiza o sociólogo Juacy da Silva, uma vez que a violência contra a pessoa idosa é um problema que se agrava e se estende, gradativamente, nos dias atuais, prejudicando sua integridade física e emocional e impedindo, por vezes, o seu desempenho social.

    Neste sentido, para lembrar a data, alguns órgãos governamentais como, por exemplo, a Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, está iluminada pela cor violeta durante a segunda quinzena do mês de junho. Segundo o deputado Cobra Reporter, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Assembleia, a campanha Junho Violeta faz parte de um trabalho de conscientização da população para mostrar a importância de denunciar todo e qualquer tipo de violação dos direitos da pessoa idosa. Essa dura realidade de maus-tratos contra os idosos deve ser combatida. Para isso, ele destaca que informação e denúncia são fundamentais, alertando que o site http://www.defesadosidosos.org é uma importante ferramenta para queixas, reforçando que são prontamente encaminhadas para as autoridades competentes.

    Portanto, como o Brasil caminha para ser um país de pessoas idosas, precisamos nos ater às políticas públicas e ações que protejam estas pessoas que tanto fizeram e continuam fazendo por todos nós. Afinal, respeitar é aceitar, acolher, amar e quando demonstramos, com afeição, o nosso querer bem aos idosos, mostramos o quanto valorizamos a nossa própria história pois, mais cedo ou mais tarde, também chegaremos na melhor idade. Assim, nada melhor do que subestimar o idadismo (atitude preconceituosa e discriminatória com base na idade, sobretudo em relação a pessoas idosas) que persiste nas relações sociais, familiares, no trabalho, em toda a parte. É preciso quebrar estigmas para que se possa garantir o pleno cumprimento dos direitos dessa parcela populacional que deveria ter, ao contrário do que acontece, cada vez mais visibilidade diante das incontáveis violações e aos absurdos abusos enfrentados dia após dia.

    Enfim, devemos clamar pelo NÃO à violência pois respeitar o idoso é, acima de tudo, tratar o próprio futuro com respeito!

    ~ Dani ~

  • 115 anos de Japão no Brasil

    Fonte: Editora Unesp

    No próximo domingo, 18 de junho, enaltecemos o Dia Nacional da Imigração Japonesa. Sabe por que? Porque foi justamente nesta data, há 115 anos, que o navio Kasato Maru, vinda do porto de Kobe, em uma viagem de mais de 50 dias, aportou no porto de Santos com os 781 primeiros imigrantes japoneses para trabalharem nas lavouras de café, no estado de São Paulo.

    Mas… por que os japoneses imigraram para o Brasil?

    No final do século XIX, com o fim do feudalismo e o início da mecanização da agricultura, o Japão teve que enfrentar uma grave crise demográfica, levando a população rural a migrar para as cidades, a fim de fugir da pobreza. Desse modo, as oportunidades de emprego tornaram-se escassas, fazendo com que muitos trabalhadores rurais tivessem uma vida extremamente miserável.

    O Brasil, por sua vez, apresentava falta de mão-de-obra na agricultura pois a Itália proibiu, em 1092, a imigração subsidiada de italianos para São Paulo (a maior corrente imigratória para o Brasil), deixando as fazendas de café, principal produto exportado na época, sem o número necessário de trabalhadores. A partir das necessidades recíprocas, firmou-se, então, um acordo imigratório entre o Brasil e o Japão.

    A grande imigração nipônica se deu a partir de 1908 e na primeira década chegaram ao Brasil aproximadamente 15 mil japoneses. Esse fluxo de imigrantes aumentou drasticamente após a Primeira Guerra Mundial, sendo que algumas estimativas revelam que entre 1918 e 1940 cerca de 160 mil japoneses chegaram ao país, dos quais 75% instalaram-se no estado de São Paulo por causa das colônias e bairros típicos que já se encontravam estabelecidos, cujo foco deixou de ser apenas as plantações de café. Eles também diversificaram o cultivo de hortifrutigranjeiros, chá, soja e arroz.

    No entanto, vale ressaltar que a maioria dos imigrantes japoneses tinha a pretensão de enriquecer e voltar ao Japão em, no máximo, três anos. A ilusão de enriquecimento rápido em terras brasileiras, porém, mostrou-se um sonho quase impossível pois tinham estabelecido contratos de trabalho inoperantes a serem cumpridos. Além dos baixos salários, a passagem e tudo que precisavam consumir eram descontados do pagamento, de modo que estavam sempre endividados. Também tiveram que superar uma série de dificuldades como idioma, alimentação, vestuário, religião, clima, péssimas condições de trabalho e até mesmo o preconceito, que se tornaram fortes barreiras à integração dos nipônicos no  país verde amarelo.

    Como pretendiam voltar ao Japão, não se interessavam pelos hábitos e costumes da população local e muitos deles não aprenderam a falar o português. Até mesmo os nisseis (filhos de imigrantes japoneses) não eram muito diferentes dos seus pais. Ainda dominados pelo desejo de regresso ao Japão, muitos imigrantes educavam seus filhos dentro de uma sólida cultura oriental. As crianças frequentavam escolas japonesas fundadas pela comunidade e a predominância do meio rural facilitou esse isolamento, fazendo com que cerca de 90% dos filhos de japoneses falassem apenas o idioma japonês em casa.

    Porém, no decorrer da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os japoneses que viviam no Brasil tiveram sérios problemas, pois o Brasil apoiou o grupo dos aliados, enquanto o Japão fazia parte do grupo do eixo, de modo que no desenrolar do conflito, a entrada de japoneses ficou expressamente proibida no país. Além disso, o governo era ofensivo em relação aos imigrantes japoneses, evidenciando-se quando o presidente Getúlio Vargas impediu o uso do idioma japonês e toda e qualquer forma de manifestação cultural, cujos atos passaram a ser considerados criminosos. Após o término da Segunda Guerra, as leis de repressão foram extintas e o fluxo imigratório voltou ao seu crescimento normal, fazendo com que até mesmo os sanseis (netos dos imigrantes japoneses) se abrissem definitivamente à sociedade brasileira. Com o passar do tempo muitos japoneses prosperaram, resultando na permanência definitiva da maioria deles no Brasil.

    Deste modo, cientes de que não seria mais viável regressar à terra natal, trabalharam duro no campo para que seus filhos e netos tivessem um futuro promissor no Brasil. Na década de 1960, muitos nisseis e sanseis foram para os centros urbanos a fim de concluir os estudos, ingressando posteriormente na indústria, comércio e prestação de serviços. Consequentemente, a partir da década de 70, a miscigenação passou a integrar a comunidade japonesa no Brasil e, atualmente, observa-se que cerca de 61% dos bisnetos de japoneses possuem traços mestiços com outras etnias. 

    Para se ter uma ideia, de acordo com o Consulado Geral do Japão em São Paulo, o Brasil abriga atualmente a maior comunidade de descendentes no exterior: aproximadamente 1,5 milhões de japoneses e descendentes vivem no país e por conta disso, a influência nipônica se perpetuou e está presente nos sabores e saberes do Brasil. Das artes marciais à religião, dos chás e dos sushis aos mangás (as famosas histórias em quadrinhos japonesas), o Brasil incorpora essa cultura que, aliado a um riquíssimo painel multicultural de povos como portugueses, índios, africanos, italianos, espanhóis, árabes, chineses, alemães, entre outros, que também fincaram suas raízes em solo brasileiro, vem contribuindo substancialmente para o desenvolvimento econômico  do país.

    Posto isso, após “trancos e barrancos”, o cenário atual mostra que os imigrantes japoneses e seus descendentes estão totalmente integrados à cultura brasileira, subdivididos em:

    – Isseis (japoneses de primeira geração, nascidos no Japão);
    – Nisseis (filhos de japoneses);
    – Sanseis (netos de japoneses);
    – Yonseis (bisnetos de japoneses)

    Se você, assim como eu, é descendente de japoneses e queira mais informações sobre a imigração dos seus familiares como, por exemplo, o navio em que vieram, data de partida e chegada no porto de Santos e a fazenda em que foram trabalhar, uma boa dica é entrar no site do Museu Histórico da Imigração Japonesa e acessar o banner “Navios de Imigração”, que fornece um relatório completo de todos os imigrantes que vieram ao Brasil. Sem dúvida, esses dados são fundamentais para manter viva a história da Imigração Japonesa no Brasil, especialmente para as novas gerações com raízes nipônicas.

    Aproveitando que estamos nas vésperas de uma comemoração tão significativa, que tal compartilhar o site com seus parentes e amigos descendentes de japoneses? Afinal, é muito legal saber de onde viemos e que fazemos parte desse enlaçamento que está prestes a completar 115 anos, não é mesmo?

    ~ Bia ~

  • Abraçar sem abraçar… 

    Fonte: Herp

    Hoje vamos falar de abraço porque esse carinhoso gesto que é uma das melhores formas de comunicação universal, dispensa palavras e faz um bem danado à nossa saúde tem, merecidamente, o seu dia especial. Simmm… hoje, 22 de maio, é o Dia Mundial do Abraço!!! Nosso eterno Cazuza já dizia que o abraço é o encontro de dois corações e a não menos famosa banda Jota Quest, em uma de suas músicas diz que o “o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço”, expressando que “tudo que a gente sofre, num abraço se dissolve e tudo que se espera ou sonha, num abraço a gente encontra”. Melhor interpretação para um abraço não poderia existir, não é mesmo? 

    Jota Quest – Dentro de um Abraço

    Tanto é que, de acordo com a literatura científica, dar ou receber um abraço é a forma mais simples de fazer o corpo liberar oxitocina, conhecida como o hormônio do amor e da felicidade. Após um abraço, o sentimento de bem estar, conforto e alegria “contagiam” tanto quem abraçou, quanto quem recebeu o abraço, ajudando a curar a solidão, o isolamento e até a raiva, pois desde que nascemos somos condicionados a ter o contato com outras pessoas e antes disso, ainda na barriga da mãe, nos sentimos seguros, abraçados, estabelecendo uma relação de confiança, conforto e acolhimento, de modo que o abraço nada mais é do que “uma forma de expressar sentimentos e emoções, trazendo diferentes sensações para quem oferece e quem recebe. Pode demonstrar intimidade, proximidade, uma relação querida, uma saudade, um cuidado. Pode também significar afeto, carinho, cuidado, amor, perpassando por vezes a necessidade da palavra e se fazendo suficiente ao sentir o abraço naquele momento”, conforme aponta a psicóloga Letícia Lozan.

    Ao contrário de alguns países como, por exemplo, o Japão que não tem o costume de abraçar (tema para um post à parte), esta ação aparentemente tão simples sempre esteve presente no  comportamento de todos nós, brasileiros, de modo que, com a pandemia, em razão do distanciamento social, nunca antes um abraço foi tão valorizado. Tivemos que nos adaptar às novas circunstâncias e o abraço foi deixado de lado, sendo substituído pelo toque com os cotovelos ou mãos fechadas que, convenhamos, não se compara aquela gostosa sensação de ternura e de bem-estar-bem que só um abraço pode nos acalentar, uma vez que, como seres humanos que somos, nossas relações são pautadas no contato físico e o abraço faz parte desse universo.

    Segundo depoimento do professor de psicologia médica da Pós Graduação em Psiquiatria da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio), Luiz Guilherme Pinto, à Agência Brasil, a situação que o mundo vivenciou por conta do coronavírus, é muito particular pois boa parte da população que ainda está tomando todos os cuidados recomendados pelas autoridades sanitárias “está carecendo de abraços” pois não há como negar que tivemos que  ressignificar as formas de transmitir afeto e manter a distância interpessoal impactou negativamente em diversos aspectos da vida, principalmente no psicológico de cada um de nós!  

    Conforme descreve o psicólogo Marcello Santos, do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-RJ) ao referido site, o abraço é a poesia do mundo sem palavras. “É aquele momento em que você envolve o outro e o outro te envolve. É o momento em que você acolhe aquilo que o outro está trazendo. Você acolhe o outro incondicionalmente no seu abraço e isso faz com que o sujeito se sinta dentro de um clima de hospitalidade, de cordialidade, de afeto. Como falam em algumas culturas, é o choque de corações”, reforçando que “o abraço requer uma certa intimidade que, às vezes, ocorre naquele momento único, como acontece muitas vezes em jogos de futebol, quando os torcedores se abraçam para comemorar um gol do seu time. Ou no Ano Novo, em que pessoas desconhecidas uma das outras, acabam abraçando alguém para compartilharem as suas alegrias”. Como podemos verificar, há abraços para muitos momentos: aquele que conforta, o que reforça os laços de amizade, o que protege, o que põe fim à saudade, nos dando conta de que, desde que nascemos, aprendemos a usar o abraço para demonstrar afeto, transmitir segurança, cuidados e muito, muito amor.

    Diante desses argumentos em que um aconchegante abraço pode aliviar a dor, a depressão, ansiedade, pânico, abandono, entre outros sentimentos que têm, de uns tempos para cá, abalado emocionalmente a população, a demonstração de carinho, qualquer que ela seja, continua sendo extremamente necessário. Segundo muitos psicólogos, deixar de abraçar “presencialmente” não significa que essa ação não possa acontecer, existindo várias formas de abraçá-la virtualmente. Obviamente, todos nós queremos e buscamos um “caloroso” abraço para nos sentirmos compreendidos, protegidos e confortáveis, mas como demonstrar que estamos próximos mesmo distantes fisicamente? 

    Caetano Veloso – Um Abraçaço

    A canção de Caetano Veloso, “Um Abraçaço”, que foi lançada em 2012, muito antes do isolamento imposto pelo coronavírus, descreve um pouquinho dos novos tempos que vivemos. O universo que vivenciamos atualmente está cada dia mais residindo nas lentes azuis de computadores, smartphones… e os abraços, infelizmente, ficaram escassos, dando vazão às telas que “felizmente” apareceram em  boa hora para nos ajudar a preencher os espaços que a saudade teima em ocupar. Afinal, não é na adversidade que a vida mostra o lado reverso da moeda? Então, quaisquer que sejam os motivos, se não é possível estar sempre por perto dos familiares e amigos queridos para abraçá-los pessoalmente, podemos e devemos sim,  ressignificar e distribuir “abraços” virtuais. Mas de que maneira?

    A manutenção dos vínculos e cuidado com as relações pode, por exemplo, ser feita usando as redes sociais e meios tecnológicos como formas de contato e proximidade, ou seja, através de mensagens, ligações e chamadas de vídeo, a qualquer momento do dia, sem motivo específico, só para “matar” a saudade. Outra forma que também nos faz sentir perto de alguém especial é enviando flores e/ou presentes mas, independente das pequenas atitudes, o que importa mesmo é não deixarmos de cultivar os bons sentimentos e as boas energias pois o abraço, mesmo não sendo presencial, pode nos proporcionar coisas boas, como sugere Kathleen Keating, autora do livro “A Terapia do Abraço”, ao descrever alguns tipos de abraços que valem a pena relembrar, tais como:

    • Abraço Amizade : é um tipo de abraço que ajuda a quebrar a timidez, aumentar a auto-estima e melhorar a confiança entre amigos.
    • Abraço de urso: é um tipo de abraço muito usado entre pais e filhos, avós e netos e até para amigos que queiram expressar sua amizade, solidariedade e alegria de estar junto com aquela pessoa. 
    • Abraço imaginário: é um tipo de abraço, literalmente, imaginário e muito eficiente, principalmente quando estamos em situações difíceis onde precisamos de apoio e não temos ninguém por perto.

    Desse modo, quando o abraço convencional não é possível e temos que apelar para o abraço imaginário, as 3 dicas básicas da psicóloga Beatriz Ferreira Neves do Hospital Estadual de Ribeirão Preto (HERP) para se “abraçar sem abraçar”, com bastante criatividade e vontade de abraçar, não só no Dia do Abraço mas em todos os outros dias do ano, são: 

    • Se abrace. Cruze seus braços e envolva seus ombros com suave pressão. Feche os olhos e sinta o quanto o seu abraço é bom e confortante… você é capaz de grandes abraços!
    • Abrace seu animal de estimação. Dê um abraço em seu animalzinho de estimação (proporcional ao tamanho do mesmo) e sinta o carinho e a cumplicidade que os envolve… aproveite este sentimento de amizade verdadeira! 
    • Abrace uma almofada com o cheiro da pessoa que você gosta. Coloque numa almofada um perfume que te lembre a pessoa que você ama ou imagine o perfume dela na almofada… e abrace com vontade!

    Eu, particularmente, adoro abraçar e como estou ciente que o abraço é um excelente “suplemento”, mesmo distante não deixo de “abraçar sem abraçar”, quase todos os dias, meus adoráveis netinhos Yan, Léo e Lia e as minhas filhas Dani e Paty, não me sentindo solitária ou emocionalmente machucada por não poder (por enquanto) abraçá-los pessoalmente. Aprendi a dominar algumas dicas de abraços virtuais, desenvolvendo uma certa confiança na minha capacidade natural para compartilhar abraços maravilhosos, como podemos nos encantar neste vídeo em que é perceptível mudar paradigmas e sentir um “delicioso” e carinhoso abraço virtual!

    Léo com 1 ano e 11 meses abraçando a vovó Bia

    Como se vê, até mesmo abraços virtuais podem despertar uma série de emoções, não existindo receitas prontas a serem seguidas e sim, descobertas e redescobertas a serem feitas quantas vezes forem necessárias, pois dentro de cada singularidade, é possível abraçar sem abraçar, de maneira inimaginável há algumas décadas atrás.

    Nunca é tarde para investir nos afetos. Bora começar pelos abraços virtuais…

    Feliz Dia do Abraço para todos nós!!!

     ~ Bia ~

  • Mães mais do que especiais…

    Fonte: Canguru News

    No mês de maio, mais precisamente no segundo domingo do mês, muitos países como Brasil, Itália, Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Japão, entre outros, prestam homenagens à figura materna e todos os sentimentos envolvidos na relação entre mães e filhos. Muitas mulheres almejam ser mães e durante a gravidez, a espera de um filho é cercada de muitas expectativas e idealizações. Afinal, qual é a mãe que não deseja que seu filho(a) venha a este mundo perfeito e saudável, não é mesmo? Todavia, ao depararmos com a célebre frase “quando nasce um bebê, nasce também uma mãe”, quando o bebê nasce com alguma necessidade especial, será que esta mãe também se torna especial, adquirindo super poderes e se transformando em uma heroína? Claro que NÃO!

    Só quem tem um filho especial sabe que, receber o diagnóstico que ele é portador de alguma necessidade especial, é como dar à luz novamente, é ter outro parto muito mais doloroso, muito mais longo e sofrido, cuja dor, anestesia nenhuma, por mais eficaz e potente que seja, consegue amenizar. Não há obstetra ou equipe médica, por mais qualificados que sejam, que possa tornar este parto mais tranquilo, menos traumático. Talvez seja o “parto” mais difícil de nossas vidas… é o que revela muitas mães à Associação Caminho Azul, uma instituição de caráter filantrópico, que atende crianças e familiares carentes com Transtorno do Espectro Autista. Por quê?

    Porque ninguém está preparado para ter um filho especial! Na verdade, talvez até “bate” um receio que isso possa acontecer, mas muito provavelmente, nenhuma mãe, em sã consciência, sonha em ter um filho com necessidades especiais. Basta tomarmos como exemplo o que habitualmente respondemos quando estamos grávidas, a respeito da preferência do sexo do bebê. A resposta é, invariavelmente, a mesma: “Tanto faz, menino ou menina. O importante é que venha com saúde”.

    Desse modo, quando nosso filho é diagnosticado como portador de necessidades especiais, jogando por terra todos os nossos sonhos e expectativas, temos a terrível sensação de estarmos à beira de um precipício. Se nos dizem que devemos ser fortes e que devemos acreditar, incentivar e estimular nossos filhos, como fazer tudo isso? E como atenuar a própria dor, os medos e as dúvidas? Fragilizadas e ansiosas, descobrimos, a duras penas, que precisamos lidar com essa situação que nos pertence, da qual desconhecemos por completo. Temos que reaprender a ser mães, na concepção mais abrangente da palavra, de acordo com as novas especificidades de nossos filhos. E, à medida que a “ficha vai caindo”, o grande dilema é: qual é o caminho? Como podemos nos tornar a mãe que nosso filho precisa, capaz de auxiliá-lo em seu desenvolvimento, se nem mesmo sabemos por onde começar? Infelizmente não existem receitas prontas ou fórmulas mágicas!!! 

    No entanto, nesta minha longa jornada de mãe “especial”, compreendi que procurar conversar, interagir e trocar informações e experiências com outras mães e famílias de crianças especiais, quaisquer que elas sejam, costuma ser a tábua de salvação para aquele momento em que parecemos naufragar em meio a um mar de dor, desespero, angústia e falta de esperança. Falar abertamente sobre o assunto com familiares e amigos também nos deixa mais “leves”, pois alivia o peso que sentimos. Inegavelmente, a primeira coisa que precisamos entender é que não existe um “caminho certo” nesta jornada. Existem, sim, caminhos diferentes e formas de caminhar diferenciadas, pois cada família tem o seu ritmo e o seu passo nessa caminhada. No momento e na hora adequada, cada mãe encontra a sua forma, o seu jeito e, principalmente, uma grande força interior. Mas o mais importante é enfrentar corajosamente, dia após dia, os obstáculos que certamente estarão sempre presentes neste caminho, pois só assim, é possível conduzir nossos filhos especiais à conquista da sua autonomia e felicidade. 

    Para que possamos compreender melhor a nua e crua realidade vivenciada por muitas mães especiais, quero compartilhar esse interessante artigo publicado pelo Instituto Empathiae (organização sem fins lucrativos preocupada com a situação da família, principalmente da figura materna, quando do nascimento de um bebê com deficiência) acerca de um depoimento bastante emocionante da mãe do João Vicente, sobre a solidão das mães especiais.   

    É PRECISO UMA ALDEIA INTEIRA PARA EDUCAR UMA CRIANÇA

    Esses dias recebi o convite da festa de aniversário de um colega do João. Uma festa do pijama, que começava às 19hs de um dia, para terminar às 10hs do outro. Gelei. Porque já está em mim pensar que para o meu filho os convites e as atividades vão ser sempre diferentes. Demorei para ligar para a outra mãe. Passei do limite da data de confirmação, acredito que em um boicote inconsciente. Dias antes, mandei um recado: “Cris, querida, escuta, acho que o João pode pelo menos ir e eu busco ele mais tarde, para participar, o que tu acha? Dormir não vai rolar, né”. Ao que ela me respondeu: Se tu topar, eu adoraria que ele dormisse.

    Fiquei um pouco em choque com a resposta, porque não esperava. Quantas mães estariam dispostas, no lugar dela? Teve desdobramentos dessa conversa, lógico. Eu explicando para ela – e para mim mesma – que de fato não existem muitas complicações, os remédios poderiam ser dados antes, ele come de tudo, dorme tranquilo a noite toda, e é um menino bem despachado, até. Decidimos juntas que tentaríamos.

    O João não voltou para casa naquele sábado. Diz que aproveitou muito. Que estava feliz e muito bagunceiro. Diz que comeu cachorro quente, derrubou cabaninhas, rolou para dentro de encontros secretos das meninas, foi o último a dormir, e antes de pegar no sono só fez uma pergunta: “Mama?”, e quando ouviu que no outro dia de manhã eu estaria lá com ele, se aconchegou.

    Essa noite me ensinou algumas coisas. Sobre a normalidade do meu próprio filho, sobre como os medos podem barrar importantes experiências, sobre a minha coragem e a coragem do outro, que quando se encontram podem ser tão mais potentes. Sobre ter uma rede disposta, disponível, A FIM de ultrapassar as barreiras do “é mais difícil” para incluir uma criança com afeto. Senti por algumas horas uma mãe normal. Grudada no celular a noite toda revisando se não tinha ligado o modo silencioso sem querer, mas normal.

    É PRECISO UMA ALDEIA INTEIRA PARA EDUCAR UMA CRIANÇA, dizem. Até que essa criança tenha necessidades especiais, o que vira o limite desse provérbio africano bonito que tanto se fala hoje. 

    Quando se toca nessa maternidade “especial”, nessa maternidade que ninguém quer, ninguém vê, e todos têm medo de falar sobre, a aldeia se desfaz. Eu sempre neguei tudo isso, me “fiz” de desentendida por muito tempo. Até que, no processo de pesquisa sobre inclusão, me peguei em meio a entrevistas e papos chegando sempre perto nesse assunto. Não que não tenha sentido sempre essa solidão, pelo contrário. Acho que a gente sente tanto que se acostuma.

    A verdade é que, se para as crianças com necessidades especiais não existe aldeia, isso significa que para as mães ditas especiais não existe rede. Ou existe, pequena e frágil. Mas na maior parte dos casos o que temos são amigos que não sentem vontade de se aproximar, parentes que têm medo e não querem se envolver, tios e dindos que nunca vão levar essa criança para um dia de passeio, mães de colegas que jamais vão chamar para dormir na sua casa. Convites de aniversário que nunca chegam. Avós que dizem não ter mais idade. Pais que estão, mas não muito. Pais que vão embora – e aqui não falo de separação do casal, falo do abandono do filho. A realidade é que olhando profundamente, muitas vezes, a mãe é a aldeia inteira. E vai tentar ser, com toda a sua força, e vai se cobrar pra que dê conta de tantos papéis, e vai falhar, invariavelmente. Ela não tem nenhuma chance. 

    Então vocês me perguntam: por onde posso começar a inclusão?

    Sabe aquela amiga com o filho que tem paralisia cerebral? Liga pra ela hoje e pergunta como ela está, com disponibilidade para escutar. Sabe aquela vizinha que tem um filho com Síndrome de Down? Puxa um papo a mais no elevador, convida eles pra virem tomar um chá e brincar. Ou aquela mãe de um coleguinha do seu filho que tem uma síndrome rara que você nem sabe o que é? Perde o medo, pergunta o que quiser perguntar sobre, olha nos olhos dela, e convida para o próximo parquinho. Chama para o aniversário. Arrisca pegar essa criança no colo. Tenta olhar com alguma normalidade. Não leva tão a sério – as vezes não é tão ruim assim, na maioria das vezes é só diferente. Chama pra dormir na tua casa – no máximo vai rolar uma ligação na madrugada e do outro lado vai estar uma mãe pronta para ir buscar (não é assim com todas as crianças?). Tenta passar um pouco do teu limite. Vai descobrir que ele é só medo. Existe vida depois do medo.

    Crianças com necessidades especiais também necessitam de uma aldeia, como o seu filho. E como você, mães “especiais” também precisam de uma rede. E estão tão escaldadas da falta dela, que já nem perdem tempo esperando, pedindo, buscando. Nós assumimos a postura de fortaleza, fechada, para evitar frustrações. Nós damos conta. E erramos nisso, de certa forma. Mas é o jeito de proteger nossos filhos de um mundo quase sempre não receptivo.

    Então hoje meu convite para vocês como um exercício de inclusão é
    SEJAM A REDE
    SEJAM A ALDEIA
    Escolham uma pessoa nos próximos dias, e deem um passo pra isso. Às vezes parece “forçar a barra” um pouco, e talvez até seja. Mas funciona. Tenho amizades incríveis com gente que “forçou a barra” comigo.

    Precisamos ultrapassar obstáculos óbvios, urgentemente.
    Precisamos fazer isso por desejo.

    É difícil admitir, mas queremos e precisamos de uma aldeia para nossos filhos. E por mais que tudo sempre seja diferente para a gente, algumas coisas podiam ser mais iguais. E depende de tão pouco. Depende – também – de vocês.

    (ÓBVIO que devem haver exceções para tudo isso que escrevi, crianças especiais com uma aldeia grande e linda ao redor, e fico imensamente feliz de acreditar nisso, mas está bem longe de ser a maioria, ou pelo menos um número equilibrado. A verdade é que 80% das mães que já conversei se sentem nesse lugar sem rede. Sem aldeia. Como a gente inverte isso?) Texto de Lau Patrón, mãe do João Vicente, da página Avante Leãozinho. 

    Maravilhoso esse olhar sincero e profundo de Lau Patrón, vocês não concordam? Provavelmente, muitas mães especiais se identificam com todos esses relatos que ela expõe tão abertamente, sentindo-se muitas vezes sozinhas, abandonadas, sem esperança e com o coração fechado num luto sem fim. No entanto, será que muitas de nós, “mães especiais”, diante da dor e do sofrimento, não estamos nos fechando em uma concha de medos e desconfianças, por conta das dificuldades que acreditamos existir (e elas existem), construindo imensos muros para proteger, não só nossos filhos mas a nós mesmas contra o preconceito e a exclusão social?

    A verdade é que, para o bem dos nossos filhos, precisamos ter coragem para nos “desarmar” e “forçar a barra”, “dar a cara a tapa” e pedir ajuda, pois uma rede e uma aldeia são essenciais, não só para nossos filhos mas também para nós mesmas. A inclusão é, sem dúvida, uma luta árdua sem tempo definido, mas quando abrimos o coração, podemos nos surpreender com a disposição, boa vontade e o carinho que podem ser revelados pelo outro após o NOSSO primeiro passo.
     

    Afinal, modéstia à parte, nós, mães de filhos especiais, somos mais que normais, somos super-mães, não no sentido heróico, mas porque temos o poder de resignação e de entrega muito maior que muitas mães de filhos ditos “normais”, conscientes de que a maior deficiência humana é a espiritual, que traz a insensatez de uma sociedade que nem sempre percebe que a inclusão só acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades. Diante de tantos desafios, não temos como negar que há, sim, momentos em que ser mãe “especial” é extremamente difícil, pois uma solidão massacrante e impiedosa muitas vezes nos domina, dando a impressão que  estamos nadando contra a correnteza. Porém, como nosso maior anseio é que nossos filhos sejam respeitados e se sintam acolhidos, Lau Patrón nos leva à reflexão de um viés da inclusão que raramente é levada em consideração: a da mãe que precisa ser encorajada a ver seu filho com um olhar especial, atenta às suas reais necessidades em distintas fases da sua vida e da sociedade que precisa olhar os portadores de necessidades especiais com mais empatia e menos preconceito. 

    Deste modo, cabe primeiramente a nós, mães especiais, “quebrarmos” as barreiras do medo, a DESARMAR E AMAR, sem rótulos e sem regras. Podemos e devemos ampliar a rede e a aldeia de nossos filhos, sendo imprescindível respeitar suas diferenças e limitações pois, acima de tudo, ser mãe especial é, segundo Bruna Saldanha, ser mais, fazer mais, querer mais… tudo que tem que ser potencializado para obtermos resultados gratificantes com nossos filhos, independente do que ele tenha e nem se tem cura ou não, pois o que importa é AGIR e ACREDITAR naquilo que está sendo feito. É a escola da vida nos ensinando a sermos fortes e resilientes todos os dias. Ou seja, ser mãe especial é não desistir, é lutar, é persistir e aceitar o nosso maior presente: um filho que vai estar sempre dependendo de nós e que veio para nós porque, certamente, Deus sabe que vamos dar conta do recado!!!

    Nesta data tão especial, Feliz Dia das Mães para todas nós, mães guerreiras, pois aos olhos de nossos filhos, sejam eles especiais ou não, somos mães mais do especiais, não é mesmo Daniele e Patrícia?

    ~ Bia ~

  • No mês de maio, a vida tem o seu esplendor

    Fonte: Fujiyama

    “Azul do céu brilhou / Mês de maio enfim chegou / Olhos vão se abrir pra tanta cor / É mês de maio, a vida tem o seu esplendor”. Assim começa a música “Mês de Maio” do nosso querido cantor Almir Sater e assim começo o post do mês de maio, recheado de várias datas muito muito especiais.

    Como deu para perceber, estou bem “atrasadinha” pois hoje é dia 11, já estamos quase na metade do mês e só postei um assunto no final do mês de abril, falando do Dia dos Meninos que foi comemorado no dia 5. Fiquei sem postar na semana passada pois foi o feriado de Golden Week no Japão e aproveitamos para passear nos arredores do Monte Fuji, a montanha “sagrada” da terra do sol nascente. 

    No post anterior comentei que a comemoração alusiva ao Dia das Crianças (Kodomo no Hi) faz parte do calendário do Golden Week, mas para que se possa compreender melhor acerca deste feriado, vou falar um pouquinho mais a respeito.

    A Golden Week (Semana Dourada) é a junção de 4 feriados nacionais no Japão, comemorados bem próximos uns dos outros no final de abril e início de maio. Estes feriados levam a um período de descanso excepcionalmente longo, considerado o período de férias por excelência para os japoneses, sendo que muitos deles solicitam folgas de trabalho remuneradas (yukyu) para prolongar suas férias e aproveitar alguns dias a mais para “curtir” um merecido descanso.

    Embora o início do feriado seja, oficialmente, no dia 29 de abril indo até o dia 5 de maio de cada ano, as festividades geralmente têm início 1 a 2 dias antes e continuam alguns dias depois, especialmente quando os dias de folga caem em um fim de semana prolongado, como ocorreu neste ano, pois o feriado teve início no dia 29 de abril (sábado) e estendeu-se até o dia 7 de maio (domingo). 

    Dentre os eventos comemorativos no Golden Week temos:

    • 29 de Abril – Showa no Hi (Dia de Showa) é o aniversário do último imperador Showa, Hirohito, que governou o destino do Japão durante a Segunda Guerra Mundial.
    • 3 de Maio – Kenpo Kinenbi (Dia da Constituição) é o dia em que se comemora a ratificação da constituição japonesa de 1947.
    • 4 de Maio – Midori no Hi  (Dia do Verde) é o Dia do Meio Ambiente, cuja data era comemorada no mesmo dia do aniversário do imperador Showa, sendo posteriormente alterada para o dia 4, devido à lei que estabelece que o dia que cai entre dois feriados nacionais também deve ser feriado.
    • 5 de Maio  – Kodomo no Hi (Dia das Crianças), também chamado de Tango no Sekku (Dia dos Meninos) homenageia principalmente os meninos. 

    Diante de todos esses eventos que permeiam o agradável clima primaveril, é certamente uma das datas favoritas para viajar, não só pelo país, mas para o exterior, visitar os familiares ou apenas descansar. Aproveitando o embalo, fomos passear em alguns pontos turísticos das províncias de Shizuoka e Yamanashi.

    Fonte: Gurunavi

    A primeira parada foi em Fujinomiya (Shizuoka) para conhecermos as famosas Cataratas de Shiraito, cujas águas cristalinas provêm das nascentes do Monte Fuji. Com 150m de comprimento e 20 m de altura, foi nomeada uma das “100 melhores cachoeiras” pelo Ministério do Meio Ambiente do Japão e realmente impressiona pela sua beleza ímpar. Como o cenário muda de acordo com a estação, é um dos lugares que pretendo voltar no outono para apreciar o belíssimo espetáculo das folhas amarelo avermelhadas contrastando com os delicados filamentos das águas com formatos de fios de seda, que emanam das sólidas paredes de lava do Monte Fuji.

    Fonte: Tabi

    À caminho de Yamanashi, na região dos Cinco Lagos Fuji (Fujigoko) que fica na base norte do Monte Fuji, a montanha nem sempre é visível por causa das nuvens, mas tivemos uma sorte incrível pois fomos agraciados, literalmente, com um maravilhoso “céu de brigadeiro” que permitiu contemplarmos, sob diferentes ângulos, através dos passeios nos lagos Kawaguchiko, Saiko, Yamanakako, Shojiko e Motosuko, a imponente montanha de 3.776 metros diante de nossos olhos.   

    Fonte: BBQ HACK

    Fujigoko é conhecida como uma área de resort, onde caminhadas, camping e esportes no lago estão entre as atividades populares ao ar livre mais apreciadas pelos japoneses. 

    Fonte: Coisas do Japão

    Há também muitas fontes termais e museus na área, junto com o Fuji Q Highland, um dos parques de diversões mais populares do Japão, com montanhas-russas de deixar qualquer um de “cabelo arrepiado”. Ao contrário das minhas filhas que adoram esse tipo de entretenimento, prefiro ficar horas a fio apreciando indescritíveis paisagens naturais.

    Dentre uma lista enorme de atrações turísticas ao redor dos cinco lagos, a parada obrigatória para fotógrafos e amantes de belíssimas paisagens, sem dúvida, o Arakurayama Sengen Park, o principal ponto turístico da cidade de Fujiyoshida, de onde é possível se encantar com uma das mais exuberantes vistas do Monte Fuji.

    Fonte: Yamanashi

    Outro passeio imperdível nessa época do ano é o Fuji Shibazakura Festival, onde um gigantesco “carpete” de flores shibazakura (musgo rosa ou musgo flox em inglês), em diferentes tons de rosa, cobre uma vasta área no pé do Monte Fuji. O local do festival, conhecido por Fuji Motosuko Resort, está localizado a cerca de três quilômetros ao sul do Lago Motosuko e durante o festival, que é realizado em meados de abril até o final de maio, os visitantes têm a oportunidade única de apreciar cerca de 800.000 pés de shibazakura floridos, cujo impressionante cenário seria digno de ser, até mesmo, pintado ao ar livre pelo renomado pintor francês Claude Monet, que ficaria encantado em retratar o primoroso campo de shibazakura, com o Monte Fuji ao fundo, em dias ensolarados. Um deleite para os olhos!!!

    Fonte: Tenki

    Outro cenário que também deixaria Monet de “queixo caído”, considerado um lugar sagrado e fonte de inspiração artística, é Miho no Matsubara, localizada na província de Shizuoka. Com cerca de 54 mil pinheiros negros alinhados à beira mar, numa extensão de aproximadamente 6 km, o local também é um dos três bosques de pinheiros mais famosos do Japão (Nihon Sandai Matsubara). Por causa da sua beleza cênica, tendo como pano de fundo o magnífico Monte Fuji, exibido em várias obras de arte, foi também escolhido como um dos três locais cênicos mais famosos do Japão (Nihon Shin Sankei). A paisagem, de tirar o fôlego, que vem conquistando o coração dos japoneses há decadas, é um tesouro nacional que vale a pena conhecer, sendo tombado como Patrimônio da Humanidade desde 2013. Como o Milton é apaixonado por pinheiros, ficou em êxtase diante deste fascinante espetáculo a céu aberto!!!

    Fonte: Hamamatsu.com

    Por fim, de volta para casa, passamos em Hamamatsu, ainda na província de Shizuoka, para visitarmos o Parque das Flores que é um belíssimo jardim botânico à beira do Lago Hamana, com mais de 3.000 espécies de plantas espalhadas em uma vasta área de aproximadamente 30.000 metros quadrados. Com variadas espécies de flores que possuem épocas distintas de florescimento, no final de março até o início de abril, cerca de 1.300 cerejeiras e 500 mil tulipas se harmonizam no meio de uma bela paisagem. Durante o mês de abril as azaleias esbanjam sua formosura, seguidas da glicínia que começam a florescer no final de abril e início de maio. As delicadas rosas começam a exalar suas fragrâncias em maio e em junho é a vez das hortênsias ostentarem sua inegável beleza. Como o nosso objetivo era apreciar as glicínias, não poderíamos deixar de “bater o cartão de ponto” neste parque para ver de perto essas lindas flores que são um colírio para nossos olhos. No ano passado, fomos no Ashikaga Flower Park, mas desta vez, optamos por vê-las em Hamamatsu e estavam tão lindas quanto às glicínias de Ashikaga. Além das glicínias, o perfumado Rose Garden, com mais de 1.000 rosas de 270 variedades plantadas em um terreno de 3.000 metros quadrados, foi um espetáculo à parte.  

    Fonte: Hamamatsu.com

    E assim, em contato com a natureza e “desfrutando” lugares incrivelmente pitorescos, renovamos nossas energias no “Golden Week”. Sem sombra de dúvida, para quem mora no Japão, no mês de maio, no auge da multicolorida primavera, a vida tem o seu esplendor!!!

    ~ Bia ~

  • “Kodomo no Hi” – Dia das Crianças no Japão

    Fonte: LearnJapanese123

    Desta vez os holofotes estão direcionados aos meninos!!! Nas vésperas do tão aguardado feriado de Golden Week, o Japão anuncia a chegada do Kodomo no Hi – Dia das Crianças, com as multicoloridas flâmulas em formato de carpas “Koinobori”, hasteadas em diversos locais para celebrar a felicidade e o bem-estar das crianças, assim como a esperança de que elas cresçam fortes e saudáveis.

    O Kodomo no Hi, que será comemorado no próximo dia 5 de maio, faz parte do calendário deste feriado nacional e apesar de ser o Dia das Crianças, é tradicionalmente conhecido como Dia dos Meninos, pois as meninas, como mencionamos anteriormente, têm uma data especialmente dedicada a elas, o “Hinamatsuri”, cujas festividades acontecem anualmente no dia 3 de março. De certo modo, por ser o Dia das Crianças, tornou-se um feriado em que muitas famílias celebram a saúde e a felicidade tanto dos meninos como das meninas, sendo também um dia especial para que elas possam cultivar a gratidão às mães.  

    Originalmente conhecido como “Tango no Sekku”, essa data era dedicada exclusivamente aos meninos e remonta ao período Nara (710-794), sendo que em 1948, com o fim da Segunda Guerra Mundial, o governo japonês estabeleceu que fosse renomeado Dia das Crianças, para que se passasse a valorizar as crianças em geral, e não apenas os meninos. No entanto, ainda hoje a tradição prevalece, de forma que quando um menino nasce, seus pais ou avós costumam comprar (ou passar adiante) os elementos simbólicos dessa data festiva que compõem o altar montado com bonecos de guerreiros samurais (gogatsu ningyo), capacetes de samurai (kabuto), espadas (katana) e outros itens que faziam parte da antiga batalha nipônica, materializando valores como a persistência, a destreza marcial e a lealdade. Os bonecos, por sua vez, representam personagens folclóricos como Kintaro, Momotaro e Issun Bōshi, por simbolizar a força e a coragem dos lendários guerreiros samurais. Como o altar tem um preço relativamente elevado e ocupa espaço dentro das casas, muitas famílias estão optando atualmente por ornamentar suas casas apenas com o kabuto ou um dos bonecos, com o intuito de inspirar força e bravura, protegendo-os dos infortúnios e das doenças.

    Fonte: Japan Sauce

    No entanto, uma das tradições mais marcantes que comove a população e chama a atenção de qualquer turista estrangeiro, é a quantidade de Koinobori que se espalham nos ambientes externos como jardins, quintais e áreas públicas. Elas representam a energia, a força e a determinação das carpas que nadam contra as fortes correntezas do rio no período de desova, existindo até mesmo uma lenda sobre uma carpa dourada que nadou arduamente contra a correnteza e ao chegar rio acima, devido a sua coragem e persistência, transformou-se em um dragão. Tais atributos são vistos pelos japoneses como essenciais para que as pessoas superem as adversidades da vida, razão pela qual nas semanas que antecedem o Kodomo-no-Hi, o Koinobori é hasteado em todo o país para atrair essas características tão admiradas nas carpas, que passou a simbolizar o sucesso, a prosperidade, a longevidade e o desejo dos pais para que seus filhos cresçam fortes, corajosos e perseverantes.

    Fonte: Coisas do Japão

    No Koinobori, as cores e a disposição das carpas nas flâmulas tem um significado. No mastro, a carpa preta, que fica no topo da haste e é a maior de todas, simboliza o pai. Logo abaixo, a carpa vermelha, um pouco menor, a mãe e na sequência, a carpa azul, um pouco menor que a vermelha, costuma corresponder ao filho primogênito. Os outros filhos são representados por outras cores e tamanhos, de acordo com a ordem de nascimento, podendo ser verde, roxo ou rosa. Acima de todas essas cores, pode haver o fukinagashi, uma espécie de biruta (instrumento usado para mostrar a direção do vento) com cinco cores. Colocada acima da carpa preta, ela pode ter ou não o brasão da família na sua ponta. Para os japoneses, trata-se de um amuleto que simboliza proteção à criança.

    Fonte: Just One Cookbook

    Além desses adereços, como há pratos típicos em qualquer ocasião especial no Japão, é óbvio que no Dia das Crianças não poderia ser diferente. Dentre as iguarias servidas nesta data, uma delas é o chimaki, que são bolinhos de arroz cozidos no vapor, envoltos em folhas de bambu, por simbolizar a resistência às intempéries. O chimaki pode ser doce ou salgado, recheado com diferentes combinações de carnes e vegetais. Outra sobremesa bastante apreciada é o kashiwa mochi que é um bolinho de arroz feito com farinha de arroz recheado com doce de feijão vermelho (anko), cozido a vapor e envolto em folhas de carvalho, que por não perderem suas folhas antigas até que novas folhas comecem a surgir, representam a prosperidade da família, de geração a geração. E, para beber, o costume tradicional é saborear folhas de íris picadas e misturadas ao sakê, a tradicional bebida japonesa preparada a partir da fermentação do arroz.

    Fonte: Just One Cookbook

    Simmm… íris!!! A íris floresce no início de maio e é a flor que se destaca neste feriado para afastar todo e qualquer “mau olhado” nas crianças. Como a flor íris em japonês é shobu, e shobu também significa batalha, assim como os samurais costumavam tomar banho de imersão repleto de folhas de íris antes das batalhas, os japoneses acreditam que banhar as crianças com folhas de íris é extremamente auspicioso.

    Fonte: Teniteo

    Uma atividade muito legal que costuma fazer parte deste evento são os “origamis” de capacete de samurai. São feitos em diferentes tamanhos, mas o que mais entretém a criançada são os capacetes grandes, para que, ao colocá-los, se sintam como se fossem verdadeiros samurais. Essa diversão me levou às doces lembranças da infância, quando fazíamos, (eu, meus irmãos menores, meus primos e minhas primas) origamis de chapéus com jornais e depois de prontos, uma vez colocados em nossas cabeças, fazíamos a maior algazarra, marchando e cantando a famosa e antiga canção marcha soldado/cabeça de papel/se não marchar direito/vai preso pro quartel. Bons tempos!!!

    Léo, Lia e Yan (Abr/2023)

    Nostalgia à parte, escrevi este post pensando nos meus netinhos Yan e Léo, pois em março, no Dia das Meninas, prestei a minha homenagem para a minha princesinha Lia. Ao conversar com a Dani, minutos atrás, ela me mostrou uma foto do Léo quando estava com 1 ano e disse estar atônita pois daqui 3 meses ele irá completar 3 anos, me fazendo lembrar que o tempo está passando muito rápido e eu ainda não conheço nenhum dos meus netinhos pessoalmente. Apesar de estar distante, como eu os vejo praticamente todos os dias, acompanhando o desenvolvimento desde o nascimento, não tenho do que me queixar pois eles me proporcionam muitas e muitas alegrias através das nossas “videoconferências”. Aguardo, sim, o dia em que poderei abraçá-los carinhosamente e transmitir “ao vivo” o enorme amor e carinho que sinto por eles, mas enquanto esse dia não chega, é uma bênção ter a internet a meu favor numa hora dessas. 

    Assim como as meninas tem uma canção dedicada a elas no Hinamatsuri, como não poderia deixar de ser, os meninos também têm uma canção dedicada a eles. Que tal homenagearmos todos os meninos, ouvindo a antiga e popular canção alusiva à essa data? A canção é Koinobori e para acessá-la, é só clicar neste link, ok?

    Feliz Dia das Crianças! Feliz Dia dos Meninos!

    ~ Bia ~