Sobre a autora

Acredito que tudo que acontece em nossas vidas não é por acaso. Somos destinados a um propósito que justifica a razão da nossa existência neste planeta. 

Quem me vê hoje, na minha pacata vidinha de dona de casa, não imagina que já fui workaholic. Era uma nutricionista apaixonada pelo que fazia e tinha, diariamente, horário para começar a trabalhar mas só voltava para casa tarde da noite. Como atuava na administração de restaurantes industriais, era comum trabalhar nos finais de semana organizando e coordenando eventos. Nesse período eu já estava casada, grávida da segunda filha e com uma filha que ficava durante o período integral numa escolinha e aos cuidados do meu marido, que gostava de dar atenção à nossa pequena, enquanto eu me realizava profissionalmente, extrapolando horas e mais horas no trabalho. Até que da noite para o dia tudo mudou…

Logo após o nascimento da segunda filha, exames clínicos detectaram surdez congênita bilateral profunda na minha primogênita, então com 2 anos. Ao saber que ela era praticamente surda e que mesmo usando prótese auditiva, havia pouquíssimas chances de escutar, tive a terrível sensação de que o chão estava desmoronando sob meus pés. Achei que não fosse aguentar. Mas aguentei, levantei a cabeça e fui em busca de um novo sentido para a minha vida.

Mudei completamente meu estilo de vida. Descobri que temos que fazer escolhas e escolhas, muitas vezes, exigem renúncias. Parei de trabalhar e decidi me dedicar única e exclusivamente à minha família, em especial, à minha filha mais velha que precisaria muito do meu apoio a partir daquele momento.

Muitos anos depois, quando tudo parecia ir de vento em popa, eis que sou, novamente, atingida por um abalo sísmico muito mais intenso e devastador. Descobrir que a minha filha surda era portadora da Síndrome de Usher, doença degenerativa que leva à cegueira noturna, perda da visão periférica e, em alguns casos, perda total da visão, deixou-me completamente arrasada e com enorme sentimento de culpa. Tive que buscar forças para me reerguer pois não poderia deixar a “peteca” cair. Afinal, tínhamos, eu e ela, um sonho a realizar. Assim, no ano passado, ao defender a tese de doutorado em Linguística, ela se tornou a primeira doutora surdocega do Brasil.

Escolhi o nome deste blog baseado nos conhecimentos adquiridos ao longo de uma jornada, onde nos deparamos que: “Nem tudo são flores. Superando com otimismo e determinação as adversidades da vida“, é possível alcançar a luz que brilha no final do túnel.

Quero compartilhar, neste cantinho acolhedor, os meus pensamentos, as minhas experiências e as minhas conquistas, no desejo de que através das minhas singelas palavras, eu possa transmitir como é gratificante viver de forma mais leve, buscando minimizar as angústias e frustrações e procurando, acima de tudo, estar sempre de bem com a vida.

Seja bem-vindo(a)!

~ Bia ~