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  • Falar ou não falar: eis a questão!!!

    Fonte: Unifesp

    Em se tratando de Filhos surdos de pais ouvintes, a maior angústia que nós, pais ouvintes, sentimos ao sabermos que nosso filho é surdo, é a dificuldade que teremos que enfrentar em nos comunicarmos com o filho que não ouve e não fala, visto ser notório que a falta de comunicação vivenciada pelos familiares, é o principal obstáculo no relacionamento entre filhos surdos e pais ouvintes, resultando em sérios problemas emocionais e afetivos. Assim, a criança surda precisa ser educada de maneira diferente, sendo extremamente importante que a família, em especial os pais, se adaptem às condições linguísticas de seu filho surdo. 

    Desse modo, a família pode escolher a protetização, implante coclear e/ou a inserção da língua de sinais. Embora a língua de sinais seja o meio de comunicação utilizado entre aqueles que não utilizam a fala para se comunicar, sendo em sua grande maioria, utilizados pelos surdos de pais surdos, a maior parte dos pais ouvintes desconhecem essa língua, optando inicialmente por encaminhar seu filho surdo para a apropriação da língua oral que, no caso do Brasil, é a língua portuguesa.  

    Especificamente no caso da Dani, comentei no post Resultado da Audiometria: seu filho é surdo(a) que, apesar do médico nos alertar que, mesmo com a protetização, a probabilidade de ouvir era inferior a 2%, por conta da surdez profunda, decidimos reter no aproveitamento dos restos auditivos e realizar a avaliação audiológica. Após um período de teste e adaptação, na ocasião com 2 anos, assistida por uma fonoaudióloga e recebendo estímulos pedagógicos em casa, ela começou a balbuciar as primeiras palavrinhas.

    Nesse sentido, é preciso “quebrar” o estigma de que nem todo surdo é surdo-mudo. A maioria dos surdos têm as cordas vocais em perfeito funcionamento, sendo que apenas uma minoria dos surdos são mudos. Muitas pessoas surdas não falam porque não aprenderam a falar. Entretanto, surdos que falam são conhecidos como surdos oralizados, pois desenvolveram a fala através da intervenção de um profissional que faz muita diferença em sua performance, que é o fonoaudiólogo. 

    Esses esclarecimentos se fazem necessários porque, especialmente hoje, dia 9 de dezembro é o Dia do Fonoaudiólogo e eu não poderia deixar passar esta data em branco, sem prestar a nossa sincera homenagem à fonoaudióloga Ana Lúcia Gaspar de Carvalho que, por me fazer compreender que os cuidados com os órgãos relacionados à fala e à audição são essenciais em todas as fases da vida, desde os primeiros meses de um bebê até a fase adulta, dedicou todo o seu profissionalismo na habilitação fonoaudiológica da Dani, para que ela fosse capaz de falar!!!

    Apesar de sabermos que muitas famílias ouvintes “forçam” os filhos a desenvolverem a fala para se tornarem “falantes normais”, por entendermos que a apropriação da lingua de sinais é a lingua natural do surdo e seu uso não nega ou impossibilita o desenvolvimento da comunicação oral, respeitamos o desejo da Dani quando, aos 8 anos, optou pelo bilinguismo, ou seja, pela língua de sinais (Libras) como primeira língua e o português como segunda língua. 

    Muitas pessoas ainda acreditam, equivocadamente, que o fonoaudiólogo é o profissional que “obriga” o surdo a falar. No entanto, o fonoaudiólogo busca em união à família, meios de favorecer a comunicação, seja ela pela via que for. Desta forma, ao evidenciar um novo olhar da fonoaudiologia destinado à pessoa surda em variados momentos e situações e nos diferentes ciclos de vida, Ana Lúcia sempre respeitou a heterogeneidade e a singularidade linguística da Dani, aplicando os mesmos princípios conceituais que dão suporte à prática clínica na reabilitação dos distúrbios de linguagem nas línguas orais.

    Direcionando o foco na sua capacidade de ouvir, Ana Lúcia exerceu papel fundamental na seleção, adaptação e acompanhamento do uso de próteses auditivas e no treinamento das habilidades auditivas como, por exemplo, orientando e propondo exercícios para aprimorar a qualidade da voz e, consequentemente, melhorar a projeção e ressonância vocal. 

    Além disso, como a audição permite aos bebês e às crianças o acesso as mais variadas informações e experiências para o seu desenvolvimento e por entendermos que o comprometimento das vias auditivas, que é a fonte de recebimento de informações para o aprendizado, podem apresentar atraso na aquisição da linguagem oral e escrita de crianças com deficiência auditiva, considero relevante destacar que a Ana Lúcia sempre pautou na realização de terapias com técnicas para o desenvolvimento da linguagem em conjunto com a estimulação das habilidades auditivas, executando um importante trabalho de orientação quanto à estimulação que deveria ser feita em casa e na escola.

    Com relação à fala propriamente dita, foram propostos vários exercícios para o reconhecimento da articulação das palavras, favorecendo a leitura labial e auxiliando para que a Dani tivesse uma fala clara e com os sons bem articulados, uma vez que a surdez prejudica o conhecimento da própria voz,  gerando alterações na produção e qualidade vocal, conhecida pelo “sotaque de surdo”.

    Desse modo, como uma boa performance comunicativa é fundamental para o desenvolvimento das relações interpessoais e até mesmo no convívio social, Dani foi muito bem assessorada pela sua inestimável fono, que esteve ao seu lado por 17 anos, acompanhando durante esse período todas as suas necessidades e auxiliando, tanto na prevenção quanto no tratamento de possíveis problemas ou dificuldades relacionadas à linguagem em diferentes fases da sua vida. Além da fala e da audição, a leitura e a escrita também foram bastante trabalhadas, no sentido de enriquecer o processo de aprendizagem e facilitar a compreensão da língua portuguesa como segunda língua.

    Léo, Ana Lúcia e Dani (Out/2021)

    Obviamente que esse “enlaçamento fonoaudiológico” que se estendeu por quase duas décadas, resultou num enorme vinculo afetivo que se estreitou a ponto da Dani nutrir imenso carinho, respeito e admiração por essa profissional que desempenhou e continua desempenhando até hoje, importante papel em todos os momentos significativos de sua vida, impactando positivamente no seu desenvolvimento social, emocional e cognitivo.

    Sendo hoje uma data especial, em que podemos homenagear todos os fonoaudiólogos do Brasil, que têm a nobre missão de  “atuar no processo de comunicação do ser humano nas suas etapas de aquisição, desenvolvimento e abrangência da linguagem, quer nas suas manifestações de normalidade, quer nos seus distúrbios, sejam eles de linguagem oral ou escrita, audição, fala, fluência, articulação, voz, respiração, mastigação ou deglutição”, conforme enfatiza a fonoaudióloga Silvana Bommarito Monteiro, aproveitamos o ensejo para registrar o quanto a nossa querida fono Ana Lúcia foi crucial para que a Dani conseguisse se comunicar oralmente, tendo hoje a possibilidade de ensinar seu filho Léo (ouvinte) a falar.  

    Flashcards do Kumon com o Léo (Set/2022)

    Ana… palavras jamais serão suficientes para expressar a nossa eterna gratidão por VOCÊ fazer parte da vida da Dani. Você nunca deixou de acreditar que ela alcançaria seus sonhos e se empenhou incansavelmente para que ela tivesse as mesmas possibilidades psicolinguísticas dos ouvintes. Se hoje ela consegue se expressar tão bem através da fala e da escrita é porque você sempre esteve presente, de modo a proporcionar seu pleno desenvolvimento social e emocional e, acima de tudo, assegurando que ela fosse capaz de aprimorar as suas competências tanto comunicativas como linguísticas. Você é uma dádiva de Deus em nossas vidas!!! 

    Ao finalizar este post, nós (eu e a Dani) parabenizamos todos os profissionais da Fonoaudiologia, citando a linda mensagem da Dra. Mara Behlau: “Ser fonoaudiólogo é ouvir uma lágrima, articular uma emoção, vocalizar um desejo, ler a alma e escrever um sorriso. Enfim, ajudar a expressar o que o homem tem de humano”. Quanta candura e sutileza ecoam no silêncio dessas palavras! Adoramos!!!

    ~ Bia ~

  • Sorriso maroto de uma Criança Especial

    Fonte: Federação Médica Brasileira

    Pasmem!!! Dá para acreditar que há, pelo menos, 93 milhões de crianças com deficiência no mundo e que os números podem ser muito maiores? No Brasil ainda temos um longo caminho de aprendizagem até, finalmente, aceitarmos, incluirmos e superarmos os tabus que associamos aos deficientes, sejam eles físicos ou mentais. Afinal de contas, em nosso país, segundo o IBGE, há mais de 45,6 milhões de portadores de deficiência – dos quais 3,5 milhões são crianças de 0 a 14 anos.

    De acordo com a Biblioteca Virtual da Saúde, infelizmente estão entre os membros mais pobres da população, sendo menos propensas a frequentar a escola, a acessar serviços médicos ou a ter suas vozes ouvidas na sociedade. Suas deficiências também as colocam em maior risco de abuso físico e, muitas vezes, as excluem de receber nutrição adequada ou assistência humanitária em emergências.

    Diante dessa triste realidade, o dia 9 de dezembro foi a data instituída para chamar a atenção para as crianças com necessidades especiais e entender o que se pode fazer para melhorar a qualidade de vida delas e garantir os seus direitos como cidadãos. Assim, torna-se necessário buscar informações para que possamos entender melhor sobre o universo delas, diminuindo o preconceito e sabendo como agir com relação às  suas necessidades.

    É importante que todos saibam que muitas crianças especiais costumam levar consigo um sentimento de exclusão social, por serem vistas como diferentes. Desse modo, é de suma importância a convivência entre as pessoas, induzindo à reflexão em relação às formas de inclusão, uma vez ser relevante que as pessoas aceitem e entendam a diversidade como algo positivo, para que tenhamos uma sociedade mais inclusiva.

    Fazem parte deste grupo, crianças com autismo, deficiência mental, auditiva e visual, Síndrome de Down e outras síndromes menos conhecidas, mas que também interferem no relacionamento com a sociedade. O autismo, por exemplo, é um transtorno de desenvolvimento que aparece nos três primeiros anos de vida e que compromete as habilidades de comunicação e interação social.

    No entanto, através de tratamentos que avançam a cada ano, crianças autistas podem conviver sem barreiras na sociedade. Por outro lado, os portadores de Síndrome de Down, que têm 47 cromossomos em suas células, em vez de 46, no que diz respeito ao comportamento e aprendizado, não apresentam limitação, sendo capazes de exercer muitas atividades como qualquer pessoa dita normal faz.

    Conforme a Federação  Médica  Brasileira (FMB), “toda família com uma criança especial desenvolve uma dinâmica particular. Em geral, eles são receosos, preocupados e ansiosos, pois temem a discriminação”, sendo este o maior desafio a ser superado, uma vez que ainda existe preconceito quanto ao deficiente, seja qual for o problema ou o grau de deficiência apresentado. Para a pedagoga Maria Fátima Silva, estes rótulos são difíceis de serem rompidos – mas não impossíveis, pois na sua opinião, “quando olhamos para as pessoas em situação de rua, falamos que são pessoas usuárias de drogas e quando olhamos para as pessoas com deficiência, dizemos que todas elas não podem. O rótulo é uma coisa muito complexa no nosso cotidiano e se desvencilhar disso é muito difícil”.

    É comum que, em meio ao desconhecido, não saibamos como agir e que o medo e o preconceito falem mais alto do que a necessidade de respeitar. “O respeito à diversidade é fundamental para constituir e promover a inclusão”, completa Maria Fátima. Por isso, é fundamental entender a singularidade de cada criança especial.

    Compartilhando na mesma linha de raciocínio, a psicóloga Flávia Parente destaca que a deficiência não é uma característica que minimize as habilidades das crianças especiais: “Não as chamamos de crianças com necessidades especiais, porque todos precisamos de atenção, amor, de um trabalho, de amigos, de escola. Também não falamos deficientes, porque isso confere a elas uma menor valia, como se não fossem capazes de nada. Essas crianças têm a deficiência como uma de suas características e ponto”. 

    Ela enfatiza que a associação que fazemos entre a deficiência e a incapacidade de realizar tarefas é um exemplo de barreira atitudinal. Barreiras estas que se mostram como comportamentos e associações que julgam os deficientes como incapazes e dependentes, o que gera exclusão e segregação. Há também barreiras físicas, falta de acessibilidade e carência de uma estrutura que integre corretamente os deficientes à sociedade.

    Nesse sentido, a FMB argumenta que felizmente, hoje, tenta-se minimizar os efeitos de tantos anos de exclusão, pois alguma evolução se percebe a partir da compreensão do que é a “deficiência”. Desse modo, substituir “deficiente” por “especial” modifica um pouco a situação da criança, pois altera a nossa atitude quando compreendemos que existem necessidades especiais, fazendo com que essa criança especial tenha a chance de se sentir reconhecida.

    De fato, não podemos ignorar que, nos últimos anos, o Brasil vem apresentado diversos projetos de lei que buscam incluir, cada vez mais, as crianças e pessoas com deficiência à sociedade. Veja, a seguir, alguns destes projetos de lei e os direitos da pessoa com deficiência:

    – Desde o ano 2000, deficientes, idosos e gestantes têm direito ao atendimento prioritário em serviços públicos e privados. Crianças e pessoas com diagnósticos de autismo, Síndrome de Down, deficiência mental, auditiva e visual também são resguardados pela lei.

    – Em 2016 entrou em vigor a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), que garante a crianças e pessoas com deficiência o acesso às tecnologias assistivas, à saúde pública, e à educação nas redes públicas e privadas. Desde então, nenhum colégio privado pode negar matricular alguém com deficiência, e ainda menos cobrar taxas extras por conta das necessidades dos seus filhos.

    – A Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) garantem o direito ao educador especial em sala de aula. Todas as crianças especiais também têm direito ao AEE (Atendimento Educacional Especializado) para complementar o ensino regular, no turno contrário ao que a criança está matriculada. Exemplo: se a criança estudar de manhã, o AEE será no período da tarde.

    – Empresas com 100 empregados ou mais devem fornecer de 2% a 5% de todas as suas vagas destinadas às pessoas com deficiência. Caso a quota não seja cumprida, a empresa pode ser multada!

    Posto isso, considero ser de bom-tom termos em mente que não só o dia 9 de dezembro, mas todos os dias sejam dias de reflexão, sensibilização e luta de todos nós na construção de uma sociedade mais inclusiva e igual para todos, onde possa prevalecer o amor e o sorriso maroto de uma criança especial, que merece todo o nosso carinho e a nossa atenção! Vocês não concordam?

    ~ Dani ~

  • Cidades pela vida, cidades contra a pena de morte

    Fonte: Palmela

    Comentei no post anterior que as datas comemorativas têm sido a minha bússola para o planejamento dos diversos temas que venho escrevendo e ao procurar um assunto relevante para postar no final deste mês, acabei me deparando com este tema que, sinceramente, nem sabia que existia. Após algumas pesquisas e reflexões, vamos devanear sobre o Dia Internacional “Cidades pela Vida / Cidades contra a Pena de Morte”, que é comemorado anualmente no dia 30 de novembro. 

    Trata-se de um movimento criado em 2002 pela Comunidade de Sant´Egídio, organização não-governamental italiana, com o objetivo de assinalar o aniversário da primeira abolição da pena de morte da História, que ocorreu no Grão-Ducado da Toscana, no norte da Itália, no dia 30 de novembro de 1786. Desde 2007, esta iniciativa tem o apoio da Coligação Mundial contra a pena de morte, da qual a Anistia Internacional faz parte, no intuito de  alertar a população sobre a importância do respeito internacional pelo Direito à Vida e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.

    Segundo a Wikipedia, mais de 2000 cidades espalhadas por todo o mundo já aderiram a este movimento e declararam-se “Cidades pela Vida”, empenhadas na abolição da pena de morte. Deste modo, este dia global, conhecido como Cities for Life Day, tornou-se um importante evento para despertar a consciência e envolver as instituições na procura de um sistema judicial que não incite à morte e respeite a vida.

    CitiesForLife_Comunita-di-SantEgidio_pena-di-morte

    Acerca dessa grande mobilização mundial contra a pena capital, nos damos conta de que a  cultura do punitivismo tem crescido consideravelmente nos últimos anos, devido ao anseio social por penas mais severas sendo que, em alguns países, aplicam-se a pena de morte, na tentativa de resguardar a segurança e dias melhores para a população.    

    De acordo com Dom Roberto Francisco Ferreria Paz, Bispo de Campos (RJ), “conceituar que certas pessoas são inimigas e temos o direito de eliminá-las, equivale acreditar naquele velho adágio latino: si vis pacem para bellum (se queres paz prepara-te para a guerra). Paradoxalmente, o Bispo de Campos (RJ) relembra as palavras do Papa João Paulo II que: “se queres paz prepara-te para paz, pois a paz não é apenas um resultado ou somente uma meta, mas um caminho que só pode ser alcançado pela não violência ou, se preferimos, pela justiça restaurativa”.

    Desse modo, isso nos leva à reflexão de que enquanto reagirmos ao mal com o mal, estaremos alimentando incessantemente a espiral da violência. Como nos ensina Gandhi de que se levarmos “a ferro e fogo” o Código de Hamurabi do “olho por olho e dente por dente” ficaremos caolhos e banguelas, Dom Roberto Francisco infere que somente uma cultura de paz e reconciliação pode renovar o pacto civilizatório e humano, pois é na confiança e esperança na pessoa que geramos também uma convivência solidária e responsável, além de inclusiva. 

    Assim, ele nos alerta de que “quando o Estado e o poder público mata a um ser humano cumprindo uma sanção penal, reproduz a violência e a multiplica ensinando o triste e perverso meio do extermínio”. O medo e o terror nos aterrorizam e nos tornam muito piores, pois na sua versão, “desumanizar e degradar aqueles que cometeram crimes é, sem dúvida, a falência da democracia, da sociedade e da dignidade humana”.

    Diante dessa premissa, precisamos considerar que não faltam relatos do sofrimento físico e desumano causado pelas execuções. À vista disso, o movimento para a erradicação da pena de morte no mundo está a todo vapor, sob o comando da Anistia Internacional, afirmando que “não há justiça sem vida” e que “a pena de morte é a forma mais cruel, desumana e degradante de punição, uma vez que o direito à vida é inalienável e nenhuma autoridade pode decidir tirar a vida de um ser humano”.

    A pena de morte é um sintoma de uma cultura de violência, mais do que uma solução para esta, visto não ter provas acerca do seu efeito dissuasor e negando qualquer possibilidade de reabilitação e reconciliação. Os erros judiciais podem acontecer mas a pena de morte é irreversível e pode ser aplicada a um inocente. Embasado nesta divergência, o direito internacional é favorável à abolição universal e encoraja todos os Estados a abolir a pena de morte, destacando que atualmente 58 países retêm esta forma cruel e desumana de punitivismo.

    Fonte: Estremoz

    Em homenagem à esta data, milhares de cidades em todo o mundo iluminam (muitas vezes com velas) um monumento histórico ou edifício público, em protesto contra a pena de morte. É um ato simbólico, com a luz da vida a vencer a escuridão da morte!!!

    ~ Bia ~

  • Segunda Sem Carne?

    Fonte: Segredos do Mundo

    Isso mesmo!!! Talvez você já saiba que se trata de um movimento que chegou ao Brasil em 2009, a partir de uma campanha da Sociedade Vegetariana Brasileira em parceria com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo, com a ideia de que as pessoas deixem de consumir carne pelo menos uma vez por semana. O dia escolhido foi segunda-feira porque é o dia da semana que planejamos colocar em prática mudanças no melhor estilo “agora eu começo”. Então… que tal começarmos a nos alimentar de forma a tornar o mundo melhor? 

    Cortar de vez a carne não é uma tarefa fácil para muita gente, mas você sabia que abrir mão dela, pelo menos, uma vez na semana já faz uma enorme diferença na saúde e no impacto ambiental? Prova disso é a criação da campanha Segunda Sem Carne, que começou em 2003 nos Estados Unidos com o propósito inicial de prevenir doenças causadas pelo excesso do consumo de carne. Atualmente a campanha está presente em mais de 40 países, objetivando conscientizar a população sobre os impactos que o consumo de produtos de origem animal têm sobre os animais, nossa saúde e nosso planeta.

    Por que aderir a esse movimento?

    Pelo planeta

    Fonte: Awebic

    O impacto socioambiental causado pela pecuária é assustador pois consome grande quantidade de água, grãos, combustíveis fósseis, pesticidas e drogas. Consequentemente, geram grande quantidade de excrementos, contaminam os mananciais, causam a erosão e a poluição atmosférica. Isso sem contar que a pecuária é a principal responsável pela destruição de florestas tropicais e outras áreas naturais. A seguir temos alguns dados encontrados no Awebic que considero importante compartilhar:

    – Devido ao uso intensivo de água para produção de carnes, um consumidor médio de carne demanda indiretamente mais de 3800 litros de água por dia (Fonte: Bureau of International Information Programs);

    – A produção de 1 quilo de carne bovina no Brasil emite cerca de 335 quilogramas de gás carbônico (CO2), o que equivale a dirigir um carro médio por cerca de 1600 quilômetros;

    – A pecuária é responsável por 14,5% das emissões de gases causadores do efeito estufa oriundas das atividades humanas (Fonte: Food and Agricuture Organization);

    – O setor pecuário é responsável por mais de 80% de todo desmatamento no Brasil (Fonte: Amazonia.org).

    Diante desses dados, Imaginem multiplicar tudo isso pela quantidade de pessoas que comem carne todos os dias! Insustentável para o planeta, não é mesmo?

    Pelos animais

    Fonte: Awebic

    Difícil acreditar mas durante um único ano, são mortos mais de 70 bilhões de animais terrestres em todo o mundo. Isso sem contar os animais marinhos que também são sacrificados para a alimentação. Segundo o último relatório do IBGE, são abatidos aproximadamente 1 boi, 1 porco e 190 frangos POR SEGUNDO no Brasil. Ao reduzir o consumo de carne, pelo menos, uma vez por semana, ajudamos a preservar não apenas a biodiversidade da nossa fauna, como também a vida desses animais. Afinal, se desejamos uma sociedade pacífica, mais justa e sem violência, um ótimo primeiro passo é tirar a violência do nosso prato, não acham?

    Pela saúde das pessoas

    Fonte: Awebic

    Médicos e nutricionistas afirmam que uma alimentação centrada em vegetais diminui o risco de diabetes, de infarto e outras doenças cardiovasculares, além de reduzir o risco de alguns tipos de câncer, como o do intestino grosso. Pode não parecer, mas retirar alimentos de origem animal do prato por, pelo menos um dia, pode trazer muitos benefícios para a saúde. Conforme a Awebic, dietas sem carne são estimuladas pela Associação Dietética Americana e Nutricionistas do Canadá, bem como por renomadas instituições como o American Institute for Cancer Research, American Heart Association, Food and Drug Administration, Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e muitas outras.

    Através do quadro a seguir, é possível visualizar, de maneira mais sucinta, os impactos acima descritos.

    Fonte: Sociedade Vegetariana Brasileira

    O que podemos fazer?

    Em um planeta com quase um bilhão de pessoas passando fome, as carnes apresentam-se como uma fonte precária de alimentos, demandando, como acabamos de ver, recursos escassos como água e terras que poderiam ser diretamente usados para a alimentação humana. Precisamos mudar padrões de consumo!!! Passar um dia da semana, pelo menos, sem carne é a mudança mais importante que cada um pode fazer, pois atinge com uma só “cajadada”, o cerne dos problemas políticos, éticos, ambientais e sociais. “É uma atitude que influencia não somente na busca por um planeta mais sustentável como também melhora a saúde, provê tratamento mais ético aos animais, combate a fome global e colabora com o ativismo político e comunitário”, como declara o ex-Beatle Paul McCartney, um dos embaixadores da campanha no Reino Unido.

    Fonte: Sociedade Vegetariana Brasileira

    Pesquisando no YouTube, achei muito interessante o vídeo do Átila Iamarino falando sobre a segurança alimentar e sustentabilidade. Se você tem compaixão, não só com o seu semelhante que está passando fome, mas também com a preservação do meio ambiente, vale a pena prestar atenção nos dados por ele apresentados.

    Quando nos tornamos indivíduos responsáveis pelas nossas próprias ações, estaremos pensando coletivamente. Vamos participar e compartilhar desse movimento sustentável diante de tanta insustentabilidade! “Tô dentro”, e você?

    ~ Bia ~

  • Dia Internacional da Pessoa com Deficiência: “soluções transformadoras para desafios interligados”

    bernadetealves.com

    Não sei se vocês já perceberam, mas estamos postando diferentes assuntos tomando como referência as datas comemorativas, pois desta maneira conseguimos nos organizar a fim de executarmos um bom planejamento acerca dos temas que pretendemos abordar neste blog que, pelo menos para nós, está sendo muito prazeroso, uma vez que estamos tendo a oportunidade de expor os nossos pensamentos e transmitir nossa profunda gratidão por todas as pessoas que foram e têm sido importantes na nossa vida. Mas deixando o blá-blá-blá de lado, vamos ao tema de hoje. No início do próximo mês, mais precisamente no dia 03 de dezembro, comemoramos o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, que foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 14 de outubro de 1992 para que, a cada ano, seja estimulada uma reflexão sobre os direitos da pessoa com deficiência, tanto na instância nacional como na municipal.

    Como comentamos anteriormente, no dia 21 de setembro comemoramos no Brasil, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência e naquele mês postamos um artigo alusivo ao Setembro Verde, que é uma campanha dedicada à inclusão social de pessoas com deficiência que, assim como este dia especialmente dedicado aos direitos e ao bem-estar das pessoas com deficiência, em todas as esferas da sociedade e do desenvolvimento, tem como objetivo a conscientização sobre a importância de inseri-las em diferentes aspectos políticos e sociais, até os econômicos e culturais.

    Mas… o que é ser pessoa com deficiência? 

    De acordo com o Decreto Lei nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, a deficiência humana pode ser definida como “toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano”.

    As deficiências podem ter origem genética e surgir no período de gestação, em  decorrência do parto ou nos primeiros dias de vida do bebê. Na vida adulta, podem ser consequência de doenças transmissíveis ou crônicas, perturbações psiquiátricas,  desnutrição, abusos de drogas, traumas e lesões. Desta forma, são classificadas em:

    – Deficiência física: é aquela que possui alterações que comprometem a realização de determinada atividade física. Essas alterações podem existir desde o nascimento ou serem adquiridas durante a vida. Nesse último caso, a violência e acidentes são fatores bastante relacionados com o aumento do número de deficientes físicos a cada ano.

    – Deficiência visual: é aquela que apresenta cegueira ou baixa visão. No primeiro caso, o portador não consegue perceber imagens e nem mesmo a luz. O paciente com baixa visão, entretanto, consegue perceber algumas imagens, porém, necessita da ajuda de alguns instrumentos, como lupas ou então a ampliação de materiais. Pessoas que apresentam problemas como miopia, astigmatismo ou hipermetropia não podem ser consideradas deficientes visuais.

    – Deficiência auditiva: é aquela que se caracteriza pela perda bilateral, parcial ou total da audição. Ela pode ser ocasionada por má-formação ou lesões nas estruturas que fazem parte da composição do aparelho auditivo.

    Deficiência intelectual: é aquela que afeta o funcionamento intelectual do paciente, que é relativamente menor que o da média dos outros indivíduos. Nesse caso, o problema tende a aparecer antes dos 18 anos de idade.

    – Deficiência múltipla: é aquela que afeta mais de uma das deficiências acima mencionadas.

    Segundo a ONU, são 1 bilhão de habitantes no mundo com algum tipo de deficiência física ou intelectual, sendo que 80% vivem em países em desenvolvimento. Assim, com base em muitas décadas de trabalho da ONU no campo da deficiência, a cada ano, um tema é escolhido para a campanha de conscientização, sendo que em 2022, o tema do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência é: “Um momento decisivo: soluções transformadoras para desafios interligados” em reconhecimento de que o mundo está em um momento crítico na história das Nações Unidas, sendo que agora é o momento decisivo de agir e encontrar soluções conjuntas na construção de um mundo mais sustentável e resiliente para todos e para as próximas gerações .

    Nesse sentido, o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU enfatiza que, “diante das crises complexas e interconectadas que a humanidade enfrenta atualmente, incluindo não só os agravos da pandemia do COVID-19, da guerra na Ucrânia e em outros países, mas a inflexão nas mudanças climáticas que vem apresentando desafios sem precedentes, com ameaças à economia global, as pessoas em situação de vulnerabilidade, como as pessoas com deficiência, são as mais excluídas e deixadas para trás. Em alinhamento com a premissa central da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável de “não deixar ninguém para trás”, é crucial que governos, setores público e privado encontrem soluções inovadoras de forma colaborativa para e com pessoas com deficiência, no intuito de tornar o mundo, um mundo mais acessível e equitativo”. 

    Desse modo, a observância anual do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência visa promover a compreensão das questões da deficiência e mobilizar o apoio à dignidade, aos direitos e bem-estar das pessoas com deficiência. Essas atividades acontecem na Conferência dos países que fazem parte da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CRPD), sendo que o Brasil é signatário desde 2009. A comemoração esse ano será em Nova York, no dia 5 de dezembro de 2022  (9h00-12h00), através da Reunião Virtual Zoom e o prazo para se inscrever para o evento é 30 de novembro de 2022 à meia-noite (horário de Nova York).

    As Nações Unidas destaca que “a observância global de 2022 para comemorar o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência será em torno do tema abrangente de inovação e soluções transformadoras para o desenvolvimento inclusivo, alicerçado em três diferentes diálogos interativos, dos seguintes tópicos temáticos:

    – Inovação para o desenvolvimento inclusivo da deficiência no emprego (ODS8): este diálogo discutirá as ligações entre emprego, conhecimento e habilidades necessárias para acessar o emprego em um cenário tecnológico inovador e em rápida mudança para todos e como as tecnologias assistivas podem aumentar a acessibilidade ao emprego e ser integradas em o local de trabalho.

    Inovação para o desenvolvimento inclusivo da deficiência na redução da desigualdade (ODS10): este diálogo discutirá inovações, ferramentas práticas e boas práticas para reduzir as desigualdades nos setores público e privado, que incluem a deficiência e estão interessados ​​em promover a diversidade no local de trabalho.

    Inovação para o desenvolvimento inclusivo da deficiência: o esporte como caso exemplar: um setor onde todos esses aspectos se fundem; esporte como um exemplo de boas práticas e um local de inovação, emprego e equidade”.

    Logotipo do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência representa duas pessoas que se dão as mãos, numa atitude mútua de solidariedade e de apoio em plano de igualdade, circundadas por uma parte do emblema da ONU

    Segundo Romeu Sassaki, consultor e uma das maiores referências na área de inclusão, a iniciativa é um encorajamento para que nenhum de nós desista da construção de um mundo mais acessível e sustentável que inclua todas as pessoas com deficiência, ressaltando que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiencia (CRPD) adotada pela Assembleia Geral em 13/12/2006 (em seu Artigo 9 – Acessibilidade), visa permitir que as pessoas com deficiência vivam de forma independente e autônoma e participem plenamente em todos os aspectos da sociedade, em igualdade de oportunidades (nos mesmos espaços ocupados pela maioria da população) e em equidade de condições (na medida justa da singularidade e especificidade de cada pessoa), identificando e eliminando os obstáculos e barreiras à acessibilidade.

    Posto isto, vamos nos ater que o estatuto da pessoa com deficiência no Brasil foi instituído pela Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, com o objetivo de promover o direito à inclusão de forma igualitária para que o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais sejam realmente assegurados, cabendo ao Estado garantir esse bem-estar, principalmente por meio da formulação e implantação de políticas públicas, formuladas não só pelo poder público, como também pela sociedade civil e por aqueles que enfrentam as adversidades de viver em uma comunidade sem infraestrutura. Apenas assim, por meio do diálogo contínuo com esses indivíduos, nosso país será, de fato, acessível e inclusivo.

    “Não basta que todos sejam iguais perante a lei. É preciso que a lei seja igual perante todos.” (Salvador Allende)

    ~ Bia e Dani ~

  • Não caia no “conto do vigário”

    Fonte: SpaceMoney

    A tão aguardada Black Friday, que em português quer dizer sexta-feira negra, é um evento que dá início à temporada de compras natalícias com significativas promoções oferecidas por milhares de empresas, em diversos países do mundo. É um evento tradicional que teve a sua origem nos Estados Unidos e que acontece toda sexta-feira após o Dia de Ação de Graças (quarta quinta-feira do mês de novembro), conhecido como Thanksgiving Day, feriado comemorado não só pelos americanos, mas também celebrado no Canadá e nas ilhas do Caribe, como o dia de gratidão a Deus, com orações e festas, pelos bons acontecimentos ocorridos durante o ano.

    A primeira Black Friday do Brasil aconteceu no dia 28 de novembro de 2010 e foi totalmente online. Como o evento não tem regulamentação e nem organização centralizada, qualquer empresa, tanto virtual quanto física, pode fazer promoções com o nome Black Friday. A procura por esse termo levou muitas agências de publicidade a se colocarem como centrais oficiais do evento, de modo que ano após ano, a Black Friday brasileira vem batendo recordes de vendas, contemplando a negociação tanto de bens como imóveis, carros, artigos infantis, utilidades domésticas, quanto de serviços como turismo, festas infantis e comunicação.

    No entanto, segundo pesquisa do PROVAR – Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração (FIA) – os preços de vários produtos vêm sendo “maquiados” na Black Friday, gerando indignação nos consumidores que começaram a usar a expressão “Black Fraude” para se referir ao evento. Houve até mesmo um movimento nas redes sociais, de posts de print screen dos preços e seu aumento, à medida que o dia da Black Friday Brasil se aproximava, devido ao comportamento de alguns lojistas que tentam iludir o público com ofertas “milagrosas”.

    Além dos falsos descontos, tem muita gente mal intencionada querendo dar o golpe nos consumidores, de maneira que, com tantas promoções, torna-se difícil diferenciar a verdade da mentira em meio à euforia das compras. Por exemplo, houve casos em que uma televisão que custa, normalmente, R$ 3.000 era colocada por R$ 5.000 às vésperas da Black Friday. Quando chegava na hora H, era anunciada a R$ 2.500. A loja divulgava o desconto de 50%, mas, na prática, se comparado ao histórico, foi de 16%.

    Mas esse não é o único golpe aplicado, sendo que atualmente o consumidor precisa ter muito cuidado ao fazer compras online e até mesmo presenciais. Então, pensando na segurança, o que é preciso saber na hora de comprar? Vamos ver, a seguir, os golpes mais comuns que, segundo o PagSeguro, acabam transformando a Black Friday em Black Fraude:

    Mudança de valor no carrinho de compras. Viu um produto super barato no site, mas na hora de adicionar no carrinho o preço aumentou? Esse é um golpe que acaba enganando muita gente! Apresentar o preço de apenas uma parcela ou mostrar só o valor para PIX são formas de enganar o cliente e mascarar o real valor daquele produto.

    Frete mais caro do que o produto. Alguns comerciantes “compensam” o desconto na cobrança do frete e o custo de envio encarece demais o valor final. Se você se deparou com esse caso, faça uma pesquisa em outras lojas que também comercializam aquele item para comparar os valores.

    Prazo de entrega abusivo. Se você quer comprar uma televisão para assistir aos jogos da Copa (que começa alguns dias antes da Black Friday), não faz sentido demorar 45 dias para receber o produto, concorda? Infelizmente existem lojas que trabalham com prazo de entrega muito longo, algo que pode estar atrelado à falta de estoque do produto vendido. Muitas vezes esse golpe passa despercebido pelo consumidor, que não presta atenção no tempo que vai levar até o produto chegar (e vai ter que lidar com o problema depois que já realizou a compra).

    Desconto falso: tudo pela metade do dobro. Esse é o principal e mais encontrado. Aquele em que os comerciantes aumentam o preço algumas semanas antes para no dia oferecer um “super desconto”. Ele pode acontecer tanto no e-commerce quanto nas compras físicas.

    Sites falsos. Mais perigoso do que descontos falsos são os sites falsos, que já fizeram muitos clientes sentirem o gosto amargo da Black Fraude! Usando canais de comunicação, como e-mail marketing, WhatsApp e anúncios em redes sociais, os golpistas divulgam promoções muito vantajosas, mas levam o usuário para um site fraudulento. À primeira vista, ele parece idêntico, mas na hora de finalizar a compra, o dinheiro vai para a conta deles e não para a loja! O produto nunca será entregue e o consumidor fica com o prejuízo nas mãos. O segredo é sempre consultar a página oficial da loja associada ao anúncio recebido, para saber se a oferta realmente existe.

    Fique também atento a essas atitudes simples para fugir dos golpes da Black Fraude:

    Compare preços entre lojas e veja todo o histórico. Se o golpe mais conhecido é aquele que aumenta o preço antes para dar desconto depois, a primeira forma de fugir dele é através de sites como o Buscapé que indica os preços de cada produto nos últimos seis meses. Esse aplicativo pode responder ao consumidor se o produto realmente está no desconto da Black Friday ou se é mais uma pegadinha da “Black Fraude”. O Zoom é uma boa opção para quem quer comparar os preços dos produtos nos últimos meses e ainda receber parte do dinheiro de volta através de cashback. O aplicativo também tem a função de recomendar produtos com os menores preços e com maiores descontos. Também como opção para fugir da “Black Fraude”, o Compare TechTudo também é outro aplicativo atrativo para o monitoramento de preços. Com enfoque nos eletrônicos, a plataforma indica ao consumidor os produtos com os melhores valores.

    Faça uma lista do que você pretende comprar na Black Friday 2022 e passe a acompanhar os valores com certa antecedência. Não deixe de analisar o valor do frete também! Assim você consegue encontrar o melhor custo-benefício. Aproveite para anotar ou tirar prints, assim será possível conferir se houve um aumento significativo de valor na véspera. Se esse for o caso, não pense duas vezes: denuncie a loja!

    Compre em lojas com boa reputação. Opte por lojas que você já conhece ou que têm boa reputação. Se tiver comentários de outros clientes, melhor ainda! Para conferir se um estabelecimento é confiável, dê uma olhada no Reclame Aqui e na lista do Procon. Confira não só a nota dos antigos clientes como também o tempo de resposta da loja e sua “taxa de sucesso” para solucionar reclamações.

    Fuja de links suspeitos. Recebeu uma promoção que parece boa demais para ser verdade por e-mail? Não clique! Se quer conferir a veracidade do desconto, abra uma nova aba, entre no site daquela loja e procure pelo produto. Caso não encontre, há chances de ser um golpe! Isso vale para mensagens SMS, mensagens diretas nas redes sociais e anúncios. Se chegou ao site e está em dúvida, dê uma olhada no cadeado verde que fica ao lado da barra de endereço para saber se ele tem o certificado SSL de segurança. Se tiver, o site é seguro!

    Fique atento ao valor final da compra. Para não ter nenhuma surpresa quando chegar a fatura do cartão, revise o valor final da compra antes de finalizar. Assim, você foge dos golpes que mudam o preço quando você adiciona o item no carrinho!

    Prefira pagar com cartão virtual. Quer fazer uma compra online? Então use o cartão virtual! Ele é uma versão digital do cartão físico, mas com número e CVV diferentes. A grande vantagem de usar este formato é que os dados mudam! Caso o site seja falso ou os dados sejam roubados, eles não podem ser usados novamente e você não corre o risco de encontrar compras desconhecidas na fatura. Se o pagamento for feito por boleto, é mais seguro que ele seja emitido no site oficial da loja. Evite os boletos enviados através de email ou Whatsapp. Não deixe também de conferir os dados do boleto: valor da compra, nome e CNPJ do beneficiário.

    Caí na Black Fraude… e agora?

    Mesmo com vários cuidados, é possível cair em fraudes da Black Friday. Por isso, esteja pronto para lidar com esses problemas. Caso aconteça, faça um boletim de ocorrência com prints e documentos que registrem o ocorrido. Porém, para evitar essa dor de cabeça, o ideal é seguir as dicas acima mencionadas e ficar “de olhos bem abertos” para não ser “enganado” por falsas promoções. Afinal de contas, a Black Friday está recheada com ofertas irresistíveis e nada melhor do que aproveitar esse evento para fazermos boas compras, não é mesmo? Mas… como diz o sábio ditado de que todo cuidado é pouco, vamos tomar o máximo de cuidado para não cairmos no “conto do vigário”, ok?

    ~ Bia ~

  • Outono é… outono no Japão!!!

    Fonte: WeXpats Guide

    Ué? Como assim? Outono não é outono em outros países? Claro que sim, mas como as quatro estações são muito bem delineadas no Japão, ao longo deste post, com certeza, você irá compreender porque o outono é literalmente outono nesse país. Então… vamos lá!

    À medida que o calor do verão diminui e o frio do inverno começa a se instalar, as densas florestas começam a se transformar em impressionantes tons de laranja, amarelo e vermelho, propiciando um clima perfeito para caminhadas ao ar livre. Jardins e parques tradicionais exibem as cores de outono, atraindo milhares de visitantes ansiosos para se deleitarem com a mudança das folhagens. É esta combinação de clima frio e paisagens surpreendentes que tornam o outono uma das estações preferidas do povo do sol nascente.

    O Equinócio de Outono (Shuubun no Hi) celebrado este ano no dia 23 de setembro, marca a entrada oficial do belo outono japonês, estação em que ocorre o fenômeno chamado “kouyou” (Koyo Gari ou Momiji Gari), quando as folhas das árvores ganham lindas tonalidades vermelho-amareladas, deixando a estação com um visual incrivelmente encantador.

    Fenômeno kouyou em Hokkaido | Fonte: Japan Guide

    O início da “metamorfose” das folhas ocorre em meados de setembro no norte do país, encerrando a mutação no começo de dezembro nas regiões mais ao sul, sendo que o auge do “kouyou” ocorre em novembro, período em que é possível contemplar a árvore que mais se destaca nesse espetacular cenário que é o “momiji”, também conhecida como bordo em português ou maple tree, em inglês.

    Yamanaka-ko | Fonte: Caçadores de Lendas

    Ao contrário da temporada da flor da cerejeira (sakura), que é bastante curta, podemos apreciar a beleza das folhas com mais tranquilidade, pois o período das folhas de outono é um pouquinho mais longo, sendo uma das melhores estações para passear nesse país. O clima é mais ameno, as comidas sazonais dominam os cardápios e a natureza oferece esplêndidos cenários de deixar qualquer um de “queixo caído”, ainda mais agora que o Japão acabou de reabrir suas fronteiras para o turismo internacional.

    A apreciação dessa estação tem um lugar especial no coração dos japoneses, pois assim como a sakura, o outono também enfatiza a efemeridade, ou seja, que tudo é passageiro e precisamos aproveitá-los no momento certo. Desse modo, é interessante saber que existem duas palavras muito usadas nessa época do ano: kouyou (紅葉), que retrata o processo natural da mudança da cor das folhas verdes para o vermelho e o momiji (紅葉), que se refere às folhas avermelhadas, sendo o símbolo definitivo do outono japonês.

    No entanto, não podemos omitir que a cor marcante do amarelo dourado de alguns destes cenários, são realçadas pelas folhas da árvore milenar “icho” (Ginkgo biloba), considerada um fóssil vivo, pois já existia no tempo dos dinossauros, há mais de 200 milhões de anos. Essa árvore, também conhecida como nogueira-do-japão, árvore-avenca ou simplesmente ginkgo, possui delicada beleza aliada à força e resistência, sendo o símbolo de paz e longevidade por ter sobrevivido às explosões atômicas no Japão. O dourado dessas exuberantes folhas podem ser apreciadas, em Tokyo, nas alamedas do Icho Namiki (Avenida de Ginkgo), próxima ao Meiji Jingu Gaien Park, considerada uma das avenidas mais populares durante a estação.

    Fonte: Caçadores de Lendas

    Esse maravilhoso espetáculo também pode ser vislumbrado, inclusive, ao anoitecer, pois assim como na capital japonesa, em diversas localidades como Nikko em Tochigi, Oirase em Aomori, Kyoto, Kamakura, Osaka, entre outras, recebem iluminação noturna em parques, templos e ruas arborizadas, destacando a coloração outonal das folhagens – um deslumbrante show da natureza enaltecido por luzes artificiais.

    Kiyomizu-dera em Kyoto | Fonte: Caçadores de Lendas

    Além das folhas, não podemos deixar de destacar as incríveis flores desta estação! Elas esbanjam formosura em parques e jardins por todo o país e são atrações imperdíveis para os amantes da natureza. Uma dessas flores é a cosmos, que pode ser vista em várias cores como rosa, amarelo, branco, laranja, entre outras. Crisântemos, jasmim do imperador (osmanthus), lírios-da-aranha-vermelha e arbusto de fogo (kochia), conforme foto a seguir, também ostentam sua beleza nessa época do ano.

    Fonte: Wikimedia Commons

    Com relação aos produtos típicos, um dos ingredientes mais usados é a batata-doce que aparece em doces, salgados e em praticamente todos os menus e rótulos de produtos por tempo limitado durante esta estação. Outra comida sazonal muito saborosa é o “sanma” grelhado, um peixe longo e esbelto, sendo tão apreciado no Japão que até recebe seu próprio festival, o Meguro Sanma Festival. Neste evento, que ocorre desde 1996, são distribuídos gratuitamente cerca de 7.000 peixes grelhados.

    Fonte: Além do Sushi

    Desse modo, o outono também é conhecido por ser uma temporada cheia de comidas deliciosas feitas com ingredientes típicos da estação. Além da batata-doce e do peixe sanma, outras frutas e vegetais sazonais que compõem a culinária japonesa são: cogumelo matsutake, abóbora kabocha, castanha (kuri), pera asiática, caqui, uva e maçã.

    Fonte: WeXpats Guide

    Com uma história rica em simbolismo, as impressionantes árvores multicoloridas representam o equilíbrio e por estarem associadas à paz e à serenidade têm sido, desde tempos antigos, inspiração para os poetas japoneses. Assim, os japoneses vêm preservando suas tradições e são agraciados com quase três meses de clima favorável a passeios e viagens em cenários de tirar o fôlego, não deixando “passar em branco” o belíssimo espetáculo a céu aberto da estação mais colorida do ano, neste fascinante país que também é, como expressa Caetano Veloso na música dedicada à cidade maravilhosa (Rio de Janeiro), cheia de encantos mil!!! Vale a pena planejar uma viagem nessa época do ano porque o outono é, como você acabou de ver, indescritivelmente outonal no Japão!!!

    ~ Bia ~

  • Gentileza gera gentileza

    Fonte: Cidade Verde

    Se tem um povo que, por tradição, se preocupa em promover a gentileza e está sempre tomando o máximo de cuidado para não causar transtornos às pessoas, esse povo, sem dúvida, é o povo japonês. Um aspecto importante da cultura japonesa é que o grupo vem antes do indivíduo, de modo que a harmonia dentro do grupo e da sociedade em geral deve ser mantida tanto quanto possível. Isso leva a práticas agradáveis, como por exemplo, trocar presentes com seus vizinhos, sendo que uma das piores coisas que você pode fazer para quebrar a harmonia é causar “meiwaku”, ou seja causar aborrecimentos, transtornos ou incômodos para outras pessoas. 

    Desse modo, é comum observarmos que as mesas das praças de alimentação de um shopping ou até mesmo banheiros de locais públicos estão sempre limpos, pois existe a constante preocupação em não causar transtornos para a próxima pessoa que for usar. Assim, não é de se estranhar que o Dia Mundial da Gentileza (Bondade), comemorado no dia 13 de novembro, tenha surgido durante um congresso em Tóquio, em 1997. O grupo Movimento das Pequenas Gentilezas do Japão reuniu diversos grupos de diferentes países que propagavam a gentileza em suas nações e apresentou a proposta. Em 2000, foi oficializado o Movimento Mundial pela Gentileza (World Kindness Movement – WKM), com o objetivo de inspirar as pessoas a serem mais gentis e, consequentemente, tornar o mundo bem melhor. 

    É óbvio que a gentileza deve ser praticada todos os dias, independente de ter ou não um dia especial, pois atitudes simples como cumprimentar, abraçar, sorrir ou proferir uma palavra positiva tem o poder de mudar a energia do ambiente, além de melhorar a convivência e motivar as pessoas. Quando alguém é recebido com um sorriso, naturalmente ele o retribui, gerando uma corrente do bem. Ter empatia e ser gentil engloba vários fatores como compreender os maus entendidos, não julgar, respeitar os variados pontos de vista, escolher as palavras certas para cada momento entre outras diversas atitudes.

    Assim, a gentileza é um fator primordial na qualidade de vida, pois tanto quem a recebe, quanto quem a realiza, se sente mais feliz, ou seja, gentileza gera gentileza!!! Mas… você sabia que existe uma história por trás dessa frase?  

    Simmm…nesta data tão peculiar, é impossível não trazer à tona um dos maiores expoentes deste tema: José Datrino, o Profeta Gentileza. Criador da frase “gentileza gera gentileza”, construindo a ideia de que atos de bondade podem ser cíclicos e que uma boa ação pode inspirar inúmeras outras, José Datrino passou a ser conhecido como Profeta Gentileza quando, em 17 de dezembro de 1961, um gigantesco incêndio no Gran Circus Norte-Americano, na cidade de Niterói no Rio de Janeiro, ceifou centenas de vidas.

    Na antevéspera do Natal, Datrino acordou alegando ter ouvido “vozes astrais”, que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao mundo espiritual. Desse modo, pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio, plantando flores no local que um dia foi palco de tantas alegrias, mas também de muita tristeza. Aquela foi sua morada por quatro anos e lá incutiu nas pessoas o real sentido da palavra Gentileza, confortando os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade. 

    Após deixar o local que foi denominado “Paraíso Gentileza”, o Profeta começou a sua jornada como andarilho, fazendo sua pregação e levando palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza, a todos que cruzassem seu caminho. Aos que o chamavam de louco, ele respondia: – “Sou maluco para te amar e louco para te salvar“. A partir de 1980, escolheu 56 pilastras do Viaduto do Gasômetro, que vai do Cemitério do Caju até o Terminal Rodoviário do Rio de Janeiro, numa extensão de aproximadamente 1,5 km, enchendo inscrições em verde-amarelo no intuito de incitar as pessoas a aplicarem gentileza em todo o planeta. No entanto, em 1990, a prefeitura do Rio de Janeiro “apagou” por engano as frases do Profeta  e apesar do pedido de desculpas, a restauração do legado de Datrino só ocorreu em 1999, três anos após a sua morte. 

    O Profeta Gentileza foi homenageado na música pelo compositor Gonzaguinha e também pela cantora Marisa Monte que, além de incentivar os valores pregados pelo profeta, retrata os danos ocorridos contra os murais, como diz o trecho: “Apagaram tudo / Pintaram tudo de cinza / Só ficou no muro / Tristeza e tinta fresca”.

    À vista desta célebre frase, o psicólogo Igor Teo aponta que há uma espécie de contágio saudável quando praticamos atos de gentileza, principalmente em épocas de intolerância como as que estamos vivendo atualmente no Brasil. Desse modo, um olhar mais doce, um sorriso afável e palavras de carinho e atenção, “desarmam” qualquer violência, proliferando um ambiente muito mais agradável. Consequentemente, as pessoas se sentem gratas por nossas ações e tendem a nos tratar da mesma maneira. É um efeito dominó, pois um ato leva a outro e pequenas ações podem fazer grande diferença, aumentando, por exemplo, questões de autoestima e sociabilidade. Segundo o psicólogo, quando as pessoas se sentem agradecidas e felizes, elas querem de alguma forma retribuir as pessoas que lhe fazem sentir assim. 

    Acredito que essas pequenas ações devem ser aplicadas principalmente no convívio familiar pois no mundo conturbado em que vivemos atualmente, em muitos lares percebe-se que está faltando “tempo” para se exercer atos de gentileza e bondade com a própria família, vocês não concordam? A falta de carinho e atenção, principalmente do pai que está sempre ausente por conta do trabalho, tende  a causar sérios danos emocionais ao longo da vida de uma criança, de modo que, quando adulto, essa criança não sente a necessidade de retribuir “tudo” que seu pai fez por ele até a sua emancipação. 

    Apesar da cultura japonesa se preocupar em não causar transtornos a terceiros e até mesmo ter proposto uma data para celebrar mundialmente a gentileza, é comum encontrarmos nesse país, relatos de crianças e jovens que convivem com o descaso do pai que está sempre tão cheio de afazeres e obrigações, deixando a educação dos filhos sob a total responsabilidade da esposa e, desse modo, não participando ativamente da vida cotidiana de seus filhos. 

    Antagonicamente, não posso deixar de falar como meu sogro, Sr. Hiroshi, mesmo sendo japonês, era carinhoso e gentil, não só com os filhos mas com todas as pessoas que o cercavam. Assim como José Datrino representava a gentileza, meu sogro era sinônimo de pura bondade. Muitíssimo dedicado às questões religiosas, era amável, sereno e estava sempre com um belo sorriso estampado em seu rosto. Segundo Milton, meu marido, ele foi um pai extremamente participativo e jamais usou da agressão ou violência para educar os filhos, tratando-os com respeito e cordialidade. Desse modo, era gratificante presenciar o relacionamento entre pai e filho pois como gentileza gera gentileza, Milton também sempre nutriu imenso carinho por aquele que foi um grande exemplo de bondade para todos nós.

    Diante de tantos aforismos alusivos à gentileza, chegamos ao veredito de que podemos ser gentis de várias maneiras. Ser gentil não engloba bondade, generosidade, amor e afeto apenas aos nossos semelhantes mas também com todo o meio em que vivemos como, por exemplo, não jogar papel e/ou lixo no chão, separar lixos recicláveis de lixos orgânicos e cuidar das plantas. Sejamos gentis com os animais, com a natureza e o meio ambiente em geral, com as crianças, com os idosos e com o próximo pois, segundo Harold Kushner, “quando você é gentil com os outros, isso não muda apenas você, mas também muda o mundo”, uma vez que retribuir com gentileza até mesmo nos momentos mais difíceis, pode ser a melhor resposta para alcançarmos os melhores resultados.

    Afinal, nada melhor do que seguir o exemplo de Shakespeare: “Eu aprendi que ser gentil é mais importante do que estar certo”. Ou até mesmo nos conscientizarmos de que “as palavras gentis são breves e fáceis de dizer, mas o eco delas é eterno”, conforme profetizou Madre Teresa de Calcutá. 

    ~ Bia ~

  • A estrela guia de uma escola

    Quem mais poderia ser a estrela guia de uma escola senão o profissional responsável pelo bom funcionamento de uma instituição educacional? Isso mesmo!!! O diretor da escola!!! Assim como celebramos no dia 15 de outubro o dia dos professores, os diretores escolares também têm, merecidamente, o seu dia. Em alguns estados brasileiros como em São Paulo, é comemorado no dia 18 de outubro e em outros, como no Paraná, no dia 12 de novembro.

    Como a diretora que quero homenagear, representando todos os diretores escolares do Brasil, é de uma escola que está no estado do Paraná, vou aproveitar essa data pra falar sobre a importância desse profissional no contexto educacional. 

    Quando se trata de falarmos sobre o diretor escolar, muitas vezes, o que logo vem em nossa mente é a figura daquele profissional super ocupado, com muitos documentos em sua mesa, resolvendo diversos problemas, corrigindo comportamento indisciplinado de alunos, conversando com pais e responsáveis, não é mesmo?  

    Não sei se vocês sabem, mas o papel do diretor de escola vai muito além disso. Muitas pessoas não enxergam a verdadeira função deste profissional em uma instituição de ensino, tendo até mesmo uma visão distorcida de que é uma figura distante, que apenas distribui as funções aos colaboradores da escola e “castiga” os alunos que não são obedientes ou estudiosos.

    Porém, por trás de todas as transformações educacionais que encontramos nas instituições de ensino, existe a cautelosa articulação, organizada e objetiva, de uma figura igualmente essencial nesse cenário: o diretor escolar. Além de administrar, cabe a ele incentivar, motivar e inspirar tanto a sua equipe quanto os seus alunos.

    Desse modo, o diretor exerce um papel importantíssimo na rotina escolar e dentre suas principais obrigações, podemos destacar a gestão do setor administrativo e financeiro, o trabalho em prol do desenvolvimento pedagógico, da coordenação do corpo docente e até mesmo a integração entre família-escola.

    Realmente, ser diretor não é uma tarefa fácil. Ele tem que estar preparado para diferentes situações, pois nem sempre tudo sai como planejado, de maneira que  driblar os desafios e os percalços da gestão escolar não é algo tão simples. Ainda mais agora, em tempos tecnológicos e de pandemia, o diretor escolar tem que acompanhar as constantes mudanças e estar sempre atento a tudo que acontece dentro e até fora da escola.

    Diante de todas estas responsabilidades inerentes aos diretores de escolas, esse também é o papel que, com muito amor e dedicação, desempenha atualmente a diretora da Escola Bilíngue para Surdos de Maringá, Ana Dalva Arsiê Botion, que tem plena consciência de que, para alcançar um projeto pedagógico de qualidade, professores, coordenadores, alunos e responsáveis devem, antes de tudo, estar em sintonia com a gestão.

    A Escola Bilíngue para Surdos de Maringá é fruto da criação, em 1981, de uma entidade assistencial voltada para o atendimento de crianças surdas na cidade, conhecida por ANPACIN (Associação Norte Paranaense de Áudio e Comunicação Infantil). Da data da sua fundação até 2010, a diretora era a Sra. Yara Felipe que trabalhou incansavelmente para proporcionar às crianças surdas um ensino de qualidade, de forma que pudessem crescer e serem capazes de vivenciar as evoluções do mundo. 

    Transferiu seu cedro para a vice-diretora Ana Dalva que vem habilmente conduzindo uma equipe de colaboradores a fim de alcançar metas e objetivos que possam impactar positivamente na inclusão dos alunos surdos na organização sócio econômica do país. Assim, por ser diretora de uma escola voltada para a educação especial, são enormes os desafios que envolvem a gestão escolar, mas a Ana Dalva, extremamente comprometida com o seu trabalho, está sempre a postos para enfrentar as adversidades e demonstrando muita competência para atuar em diferentes cenários. 

    Sua capacidade de inovação é admirável pois está constantemente buscando meios efetivos para solucionar problemas reais de maneira ágil e em conformidade com as necessidades da instituição de ensino. Por estar há mais de 30 anos se dedicando à essa escola, reconhece e acompanha as transformações sociais pelas quais a instituição tem passado ao longo dos anos, adaptando a rotina da escola às mudanças comportamentais, tanto da equipe de colaboradores como dos alunos, pais e responsáveis.

    Nesse sentido, uma das suas prioridades é fortalecer os canais de comunicação com alunos e responsáveis, pois ela que, antes de ser diretora, foi durante muitos e muitos anos professora da escola, sendo a primeira professora da Dani, na antiga ANPACIN, é a maior defensora de que se a família e escola andarem sempre de mãos dadas, melhor será o desempenho dos alunos surdos para que possam ter uma gama maior de possibilidades na vida profissional e pessoal. Como ex-professora, não podemos deixar de ressaltar como era prestativa e gentil, tendo muita paciência com todas as crianças, sendo que até hoje, todos os ex-alunos, já adultos e de bem com a vida, têm muito carinho e orgulho dessa professora que hoje ocupa, incansavelmente, o cargo de diretora da escola.

    Ana Dalva e Dani – antes e 28 anos depois

    Como foi possível observar, ser diretora de uma escola bilíngue de surdos é um trabalho que demanda um esforço diário e contínuo, não existindo uma fórmula mágica para gerí-la, mas com muita, mas muita garra e disposição, Ana Dalva vem se dedicando à educação de crianças e jovens deficientes auditivos. Ela merece todo o nosso respeito e a nossa admiração pois, sem dúvida alguma, é a estrela guia da escola que é referência nacional de educação bilíngue no Brasil.  

    Parabéns a todos os diretores de escola e, em especial a você, Ana Dalva, que continua iluminando a vida de todas as crianças e jovens surdos que são sempre calorosamente acolhidos por você e pela sua equipe de colaboradores! Como dizia Leon Tolstói: “Pode-se viver uma vida magnífica quando se sabe trabalhar e amar. Trabalhar por aquilo que se ama e amar aquilo em que se trabalha.” 

    ~ Bia e Dani ~

  • Prevenir é melhor do que remediar

    Fonte: IOB

    No dia 10 de novembro comemoramos o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez que foi instituído com o propósito de educar, conscientizar e prevenir a população brasileira para os problemas advindos da surdez que afeta, em algum grau, de acordo com o IBGE, mais de 10 milhões de pessoas, sendo que no mundo todo, a estimativa é de que 900 milhões de pessoas podem desenvolver a surdez até 2050, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

    Como vimos anteriormente, a surdez é o nome dado à impossibilidade ou à dificuldade de ouvir. Dependendo da causa, uma pessoa pode nascer ou se tornar surda e por existir vários graus de perda auditiva, ela pode impedir ou dificultar a percepção dos sons pelo indivíduo. A audição não tem relação apenas com o ouvido: na verdade ela é constituída por um sistema auditivo que capta as ondas sonoras acústicas e as transforma em códigos neurais, que serão interpretados pelo cérebro.

    Quando ocorre um dano em qualquer uma das partes pelas quais o som atravessa, a capacidade auditiva pode ficar seriamente comprometida. Desse modo, a surdez pode ser congênita ou adquirida e afetar pessoas de qualquer idade sob diferentes maneiras, provocando alterações na comunicação com grande impacto na saúde e na qualidade de vida, no desenvolvimento acadêmico e nas relações de trabalho.

    Principais causas e tipos de perda auditiva

    1- Surdez de condução ou transmissão: ocorre quando a passagem de som para o ouvido interno é bloqueada. Em geral, ela tem causas curáveis, podendo ocorrer rompimento do tímpano, excesso de cera que se acumula no canal auditivo e até mesmo infecção do ouvido. Esse tipo de surdez pode ser tratada com medicamento ou cirurgia.

    2- Surdez de cóclea ou do nervo auditivo (neurossensorial): ocorre quando o som não é processado ou transmitido ao cérebro. É desencadeada por viroses, meningites, uso de certos medicamentos ou drogas, propensão genética, exposição ao ruído de alta intensidade, presbiacusia (perda da audição provocada pela idade), traumas na cabeça, defeitos congênitos, alergias, problemas metabólicos, tumores, entre outros. Na maioria dos casos, o tratamento ocorre por meio de medicamentos, cirurgias e uso de próteses auditivas.

    Esses são os dois principais tipos da surdez. Em alguns casos podem ocorrer tanto os sintomas da surdez de condução como da surdez neurossensorial. Nesse caso, chamamos de surdez mista.

    Além disso, podem ocorrer outros fatores que se relacionam à perda de audição, como nascimento prematuro, baixo peso ao nascer, uso de antibióticos tóxicos e infecções, como sífilis e rubéola, que podem levar à surdez congênita (quando a surdez ocorre desde o nascimento).

    Segundo o otorrinolaringologista Luiz Fernando Lourençone, do Instituto de Olhos e Otorrino de Bauru (IOB), a causa da surdez pode estar relacionada a diversos fatores, entre eles, o genético, os ambientais ou os decorrentes do envelhecimento. Nas crianças, as doenças infectocontagiosas, a exemplo da meningite e da rubéola, são potenciais desencadeadores da perda auditiva, de forma que a criança com dificuldade auditiva pode perder estímulos importantes para o seu desenvolvimento, que envolvem o aprendizado, a comunicação e a socialização. O médico aponta que quando a perda auditiva é congênita, é possível ser detectada e diagnosticada nos primeiros meses de vida, razão pela qual o Teste da Orelhinha, um exame rápido e indolor, é tão importante e não pode ser negligenciado. Ele também comenta que na terceira idade, devido ao envelhecimento natural dos órgãos, o problema aparece com certa frequência, sendo mais perceptível após os 65 anos e comprovado cientificamente que a perda auditiva no idoso é um dos fatores mais expressivos de desagregação social. 

    Atualmente, com os elevados níveis de poluição sonora, a cultura da prevenção e a redução de exposição do ouvido a riscos desnecessários são essenciais para manter uma audição saudável, de maneira que devemos sempre buscar a prevenção da surdez. Podemos evitar a perda de audição, tomando algumas precauções como:

    – No caso das gestantes, por exemplo, uma orientação médica pré-natal é essencial para evitar doenças como sífilis, rubéola e toxoplasmose, que podem provocar a surdez. Sem esse acompanhamento, as mulheres podem se tornar suscetíveis às doenças durante a gestação.

    – Em bebês e recém nascidos, o teste da orelhinha é o exame mais indicado para identificar anormalidades na audição logo nos primeiros meses de vida. Com base nesse exame, o pediatra pode solicitar o auxílio de um otorrinolaringologista, por exemplo, para evitar maiores prejuízos.

    – Também são recomendadas técnicas simples, mas muito eficazes, como o cuidado redobrado com objetos pontiagudos. Nunca insira canetas ou grampos, por exemplo, no ouvido, porque esses objetos podem causar sérias lesões. É por esse motivo que eles também devem ser mantidos longe do alcance dos pequenos. 

    – Para trabalhadores expostos a ruídos por tempo prolongado ao longo dos anos, em setores como a indústria, construção civil, metalurgia e mineração, é imprescindível o uso de protetores auriculares, para atenuar o ruído e tornar o barulho confortável ao ouvido. Segundo a legislação brasileira, a distribuição do EPI é uma obrigação do empregador quando os níveis de ruído aceitáveis são ultrapassados. 

    – Evite tomar remédios sem prescrição médica e tome cuidado especial com os fones de ouvido, porque o seu uso prolongado, com som acima do recomendado, também pode causar a perda auditiva. 

    Deu para entender que a precaução é o melhor remédio para quem tem receio de comprometer a audição?

    No entanto, se você  percebeu que tem algum grau de perda auditiva, tomar essas medidas não vai resolver o seu problema. É necessário buscar atendimento especializado para entender a dimensão da perda auditiva, realizar um diagnóstico personalizado e, aí sim, iniciar o tratamento. Contudo, antes de avaliar os tratamentos existentes, vale lembrar que a surdez não é um “bicho de sete cabeças”, sendo que uma pessoa com deficiência auditiva é plenamente capaz de realizar todas as funções de uma pessoa ouvinte, desde que respeitada a sua acessibilidade.

    Encontrar uma forma de lidar com a perda auditiva pode ser um desafio, mas no momento em que há suspeita ou diagnóstico de deficiência auditiva, inicia-se um novo mundo de conceitos e informações. Quanto mais cedo reagirmos aos sinais da perda auditiva, ainda que seja leve, melhor será a qualidade de vida no longo prazo, não existindo, porém,  um tratamento único para a surdez. A escolha do método terapêutico depende de vários fatores como: idade, duração, tipo e grau de perda auditiva.

    Pessoas com perdas condutivas podem ser tratadas através de medicamentos ou cirurgias. Já os casos de deficiências neurossensoriais quase sempre serão tratados com auxílio de dispositivos tecnológicos desenvolvidos para a reabilitação auditiva, sendo os mais comuns:

    • Aparelhos Auditivos
    • Implantes Cocleares
    • Implantes de orelha média
    • Próteses Auditivas Ancoradas ao Osso (surdez unilateral)

    A boa notícia é que para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência auditiva, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a reabilitação com o auxílio do aparelho de amplificação sonora individual (AASI) e implantes cocleares. Ainda no SUS, o paciente também tem acesso ao atendimento integral: diagnóstico, indicação do implante, preparação para cirurgia (consultas e exames), acompanhamento feitos por profissionais especializados e terapias após procedimento cirúrgico. Para mais informações, acesse o site: www.saude.mg.gov.br/deficiencia

    Diante do exposto, o velho e bom ditado “prevenir é melhor do que remediar”, adequado a incontáveis situações no cotidiano das pessoas, aplica-se igualmente à manutenção de uma audição saudável. Deparamos diariamente com várias surpresas e a melhor coisa que existe é colocar a saúde em primeiro lugar. Só assim conseguiremos relaxar e desfrutar os prazeres da vida, não é mesmo?

    ~ Bia ~