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  • Surdo ou Deficiente Auditivo?

    Existem controvérsias sobre essa questão e talvez você já tenha visto vários termos que descrevem uma pessoa com deficiência auditiva, sendo os mais comuns: surdo e deficiente auditivo. Ambos podem ser usados, não existindo um “jeito certo” de ser surdo. 

    Algumas pessoas que têm dificuldade para ouvir, conseguem se comunicar oralmente com ou sem ajuda de prótese auditiva, sendo que outras utilizam apenas a língua de sinais. Alguns nascem com problemas auditivos, enquanto outros adquirem ao longo da vida.  Assim, de acordo com o nível da gravidade, a surdez pode ser classificada em:

    1) Surdez leve – perda auditiva de até 40 decibéis. Essa perda impede que o indivíduo perceba todos os fonemas das palavras. A voz fraca ou distante não é ouvida e geralmente esse indivíduo é considerado desatento, solicitando, frequentemente, a repetição daquilo que lhe falam. Essa perda auditiva não impede a aquisição normal da língua oral, mas poderá ser a causa de algum problema articulatório na leitura e/ou na escrita.

    2) Surdez moderada – perda auditiva entre 40 e 70 decibéis. Esse indivíduo tem maior dificuldade de discriminação auditiva em ambientes ruidosos. Costuma ser frequente o atraso de linguagem em criança com essa perda auditiva havendo, em alguns casos, problemas linguísticos. Em geral, ela consegue identificar as palavras mais significativas, tendo dificuldade em compreender certos termos de relação e/ou formas gramaticais complexas. Sua compreensão verbal está intimamente ligada à sua percepção visual.

    3) Surdez severa – perda auditiva entre 70 e 90 decibéis. Neste tipo de perda é possível o indivíduo identificar alguns ruídos familiares, percebendo apenas a voz forte. A criança com essa perda pode chegar até a idade de quatro ou cinco anos sem aprender a falar. Se a família estiver bem orientada, poderá adquirir linguagem oral. No entanto, a compreensão verbal vai depender de sua aptidão para utilizar a percepção visual, observando o contexto das situações.

    4) Surdez profunda – perda auditiva superior a 90 decibéis. A gravidade dessa perda pode impossibilitar o indivíduo das informações auditivas necessárias para perceber e identificar a voz humana, impedindo-o de adquirir a língua oral. Um bebê que nasce surdo balbucia tão igual um bebê cuja audição seja normal, mas suas emissões começam a desaparecer à medida que não tem acesso à estimulação auditiva externa, fator de máxima importância para a aquisição da linguagem oral. Assim, em raríssimos casos, adquire a fala como instrumento de comunicação uma vez que, não a percebendo, não possui um modelo para dirigir suas emissões. Esse indivíduo tende a ter pleno desenvolvimento linguístico por meio da língua de sinais.

    Diversas doenças e fatores circunstanciais podem causar a perda de audição, sendo que as causas congênitas são aquelas que resultam no momento ou logo após o nascimento. Pode ser causado por fatores genéticos, por doenças durante a gravidez (rubéola, sífilis, infecções e uso de determinados medicamentos como diurético, anti maláricos e citotóxicos) e durante o parto (asfixia no momento do nascimento e icterícia grave durante o período neonatal). As causas adquiridas são aquelas que resultam de doenças e circunstâncias que podem levar à perda auditiva em qualquer momento da vida, incluindo infecções crônicas no ouvido, doenças infecciosas, como sarampo, meningite e caxumba, uso de medicamentos ototóxicos, lesão na cabeça ou ouvido, exposição ao ruído excessivo, envelhecimento, excesso de cera ou corpos estranhos no canal auditivo, entre outros.

    Desse modo, do ponto de vista médico, a principal diferença entre surdez e deficiência auditiva está na intensidade da perda auditiva. Para facilitar a compreensão, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os indivíduos com perda auditiva que varia de leve a grave, podem ser classificados como deficientes auditivos. Geralmente, essas pessoas se comunicam pela linguagem oral e podem fazer uso de aparelhos auditivos, implantes cocleares e outros dispositivos. Por outro lado, a surdez é definida como a perda severa ou profunda da capacidade de ouvir em um ou ambos os ouvidos. Geralmente, um indivíduo surdo que tem esse grau de perda auditiva, costuma se apropriar da língua de sinais para se comunicar.

    No entanto, o aspecto cultural é muito diferente da definição médica e não pode ser negligenciado. Nesse sentido, ser surdo ou ser deficiente auditivo não está relacionado com o grau da sua perda auditiva, e sim com a maneira como ele se reconhece.

    Muitos surdos e pesquisadores consideram que o termo surdo identifica o indivíduo que percebe o mundo por meio de experiências visuais e opta por utilizar a língua de sinais, valorizando a cultura e a comunidade surda. Por outro lado, pessoas com deficiência auditiva que são oralizadas e não se identificam com a cultura dos surdos, são vistas como deficientes auditivas.

    Entretanto, não há uma definição única para dizer se alguém é surdo ou deficiente auditivo. Perante a Lei nº 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão, alinhada com os conceitos internacionais), usa-se pessoa com deficiência auditiva para TODOS OS SURDOS e ser surdo ou deficiente auditivo é uma questão de escolha. É preciso respeitar a percepção pessoal de cada um e a forma como ele se define e está inserido na comunidade onde vive. 

    O mais importante nesta história toda é que a proximidade entre surdos sinalizantes e surdos oralizados fortalece a luta por acessibilidade para todos que têm, na verdade, a mesma deficiência. Como exemplo, temos a galera da Dani que é bem diversificada, tanto de surdos sinalizantes como de surdos oralizados, sejam eles implantados ou não, e até mesmo de surdos casados com ouvintes, que estão sempre se reunindo e, juntos e misturados, “curtem” a vida numa boa, cada um respeitando o espaço do outro e vice-versa. É uma turminha de surdos que, literalmente, estão sempre de bem com a vida!!! Vale a pena conhecê-los e, dentro em breve, farei um post sobre eles.

    ~ Bia ~

  • Setembro Verde: desafios das pessoas com deficiência

    Como vimos nos posts anteriores, no mês de setembro temos a campanha Setembro Amarelo que tem por objetivo prevenir e conscientizar a população sobre o suicídio e temos também a campanha Setembro Azul que é dedicada à visibilidade da comunidade surda. Entretanto, além dessas duas campanhas, não podemos deixar de citar o Setembro Verde, onde mais três campanhas são lembradas pela mesma cor: inclusão das pessoas com deficiência, importância sobre a doação de órgãos e prevenção ao câncer do intestino. Apesar dessas duas últimas campanhas de saúde serem relevantes, nesse post irei falar especificamente da campanha Setembro Verde dedicada  à inclusão social de pessoas com deficiência (PcD).

    Como surgiu o Setembro Verde?

    Setembro foi o mês escolhido porque no dia 21 de setembro comemora-se o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Essa data foi instituída em sincronia com o Dia da Árvore, representando o nascimento das reivindicações de cidadania e participação em igualdade de condições, sendo que o verde foi a cor escolhida por ser o símbolo da esperança, visto que o objetivo da campanha é justamente fazer com que as pessoas com deficiência não percam a esperança de que dias melhores virão no que diz respeito à sua convivência na sociedade. 

    O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído por movimentos sociais em 1982, visando promover e debater a inclusão social, sendo que a Campanha Setembro Verde foi promulgada em 2015 pela Federação das Apaes do Estado de São Paulo – FEAPAES-SP, em parceria com a Apae de Valinhos (SP), no intuito de tornar o mês de setembro referência na luta pelos direitos e inclusão social da pessoa com deficiência. No mesmo ano (2015) foi instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.

    Segundo o Art. 2º da Lei Brasileira de Inclusão:

    “Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas”

    A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgada no dia 26/08/2021 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que havia no Brasil, em 2019, 17,3 milhões de pessoas com alguma deficiência (8,4% da população em geral). Cerca de 3% tinham deficiência visual; 1% apresentavam deficiência auditiva e 1% tinham deficiência mental. Cerca de 3% apresentavam deficiência física dos membros inferiores e outros 2% dos membros superiores.

    Diante desses dados, ainda há muito a ser conquistado, no sentido de ampliar práticas efetivas dentro da sociedade. Desse modo, a campanha Setembro Verde ajuda a dar maior visibilidade para todos os tipos de dificuldades enfrentadas no dia a dia, seja através da mobilidade, da saúde e até mesmo da educação, conscientizando a população de que um mundo melhor é um mundo mais inclusivo. 

    Como eu posso contribuir para um mundo mais inclusivo?

    Para que se possa alcançar uma sociedade mais inclusiva, é necessário fazer um trabalho em conjunto e todas as pessoas estão convidadas a fazer parte dessa causa tão importante. E fazer isso pode ser muito simples, sabia? 

    Existem várias maneiras de ajudar e uma delas é realizando doações ou participando de eventos beneficentes em instituições que oferecem atendimento especializado. A Apae, por exemplo, é uma instituição que tem a missão de promover e articular ações que permitam às pessoas com deficiência intelectual e múltipla terem seus direitos assegurados, além de promover apoio às famílias e atuar para manter a inclusão nos espaços. Essa instituição, assim como tantas outras, também trabalham de forma articulada nas áreas da educação, saúde e assistência social.

    Não são poucos os desafios das Pessoas com Deficiência no Brasil. A inserção no mercado de trabalho ou até mesmo a locomoção, opções de lojas e serviços especializados, tudo depende de um maior nível de conscientização da sociedade. Que tal celebrarmos o Setembro Verde apoiando essa campanha? Afinal, num movimento voltado para a inclusão, ninguém pode ficar de fora, não é mesmo? 

    ~ Bia ~

  • Setembro Azul: mês de lutas e conquistas da comunidade surda

    Fonte: CPL

    Setembro é um mês histórico para a comunidade surda, a começar pelo dia 23, oficialmente declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Mundial da Língua de Sinais, em comemoração à data da criação, em 1951, da World Federation of the Deaf (WFD), organização de defesa de direitos que visa a preservação da língua de sinais e da cultura das pessoas surdas, estando presente em mais de 100 países.

    A data era, anteriormente, comemorada no dia 10 de setembro em razão de um fatídico evento ocorrido na Itália. No Congresso de Milão que, na verdade, foi a primeira conferência internacional de educadores de surdos, realizada entre 06 e 11 de setembro de 1880, o uso de línguas de sinais no mundo foi “absurdamente” proibido. Isso mesmo! Difícil acreditar mas naquele sinistro evento determinou-se que as línguas de sinais seriam um retrocesso na evolução da linguagem e que a oralização era a forma mais adequada à comunicação de surdos. 

    Foi o período mais obscuro da história dos surdos mas com o passar dos tempos, o oralismo foi enfraquecendo diante de novas propostas reconhecendo a língua de sinais como a língua natural dos surdos. O tempo passou e conseguimos, enfim, a vitória de comemorarmos no dia 26 de setembro, o Dia Nacional do Surdo no Brasil. A data foi oficializada pelo decreto de lei nº 11.796 em 29 de outubro de 2008 sendo que, anualmente, a Comunidade Surda celebra, com muito entusiasmo, a conquista pela inclusão dos surdos na sociedade.

    Apesar do avanço de muitas conquistas como o reconhecimento da Libras como meio legal de comunicação e expressão, obrigatoriedade do ensino de Libras na formação de professores, obrigação do ensino bilíngue para crianças com deficiência auditiva e a obrigatoriedade da presença de um intérprete de Libras nos órgãos públicos, a luta continua pois ainda há muito a se fazer para garantir o respeito e os direitos dos surdos no Brasil.

    Por que dia 26 de setembro foi a data escolhida para ser a data comemorativa dos surdos no Brasil? 

    Porque foi a data (26 de setembro de 1857) em que o Imperador Dom Pedro II fundou, no Rio de Janeiro, a primeira escola de surdos no Brasil, atualmente conhecida como Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) que segue em plena atividade como escola bilíngue de surdos. Na época, o professor francês Edouard Huet, também surdo, foi convidado a lecionar às crianças surdas a fim de integrá-las à sociedade e as aulas eram ministradas em Língua de Sinais Francesa, razão pela qual é forte a influência dessa língua na construção da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

    Acrescentando-se a essas datas, temos o Dia Internacional do Surdo que é comemorado no dia 30 de setembro ou no último domingo do mês de setembro de cada ano, cujo objetivo é relembrar a luta em prol do reconhecimento da língua de sinais ao longo dos tempos em todo o Mundo, sendo que também comemoramos no dia 30 o Dia Internacional do Tradutor e Intérprete de Línguas de Sinais, profissional que, dentre milhares de possibilidades de atuação, trabalha junto a uma minoria linguística, perpassando não só a comunicação do surdo com o mundo ouvinte, mas a estruturação do seu pensamento e a essência de seu SER. 

    Diante da concentração dessas datas comemorativas, setembro é realmente o mês voltado à reflexão e ao debate sobre os direitos e a luta pela inclusão das pessoas surdas na sociedade, sendo conhecida como Setembro Azul. É o mês em que a comunidade surda brasileira se empenha em manter viva a Língua de Sinais e a Cultura Surda, buscando incessantemente melhorias na educação bilíngue de surdos no Brasil.

    E por que azul?

    É interessante saber que a cor foi escolhida por causa de um tenebroso fato ocorrido na Segunda Guerra Mundial. Naquele irreparável conflito, todas as pessoas com deficiência – entre elas, os surdos – foram consideradas inferiores pelos nazistas e obrigadas a usar uma faixa de identificação azul, no braço, para serem, posteriormente, encaminhadas à execução.

    Durante o XIII Congresso Mundial da Federação Mundial dos Surdos, ocorrido em 1999 na Austrália, foi realizada a Cerimônia da Fita Azul (Blue Ribbon Ceremony), ocasião em que o Dr. Paddy Ladd, famoso professor e pesquisador surdo usou uma fita azul no braço para simbolizar a opressão que os surdos sofreram na Segunda Guerra e a fita azul passou, então, a representar o orgulho e a resistência da comunidade surda mundial.

    Setembro, como acabamos de ver, é o mês de conscientização e divulgação da cultura e da comunidade surda, mas a responsabilidade de se fazer uma sociedade mais inclusiva todos os dias, quaisquer que sejam as deficiências, quebrando barreiras de acessibilidade e lutando contra os preconceitos, é dever de todos nós, não é mesmo?

    Afinal… todos têm direitos à igualdade de oportunidades, como veremos no próximo post que será sobre Setembro Verde!!!

    ~ Bia e Dani ~

  • Girassóis que não são da Rússia

    Na minha infância, sem saber que girassol é uma flor, a primeira vez que ouvi essa palavra foi por causa do filme Os Girassóis da Rússia, dirigido por Vittorio de Sica, em 1970. Ao assistir o filme (um dos primeiros que assisti), fiquei encantada com a atuação da dupla Sophia Loren e Marcello Mastroianni neste clássico romântico que narra a história de um casal italiano separado pela Segunda Guerra e que, após anos sem notícias, ela viaja para a Rússia a procura do marido, atravessando cidades e campos de girassóis.

    Foi nesse exato momento do filme que descobri que girassóis eram aquelas exuberantes flores amarelas e me recordo que fiquei fascinada com a fotografia do grande Giuseppe Rotunno retratando tão lindas imagens desta flor que passou a ser uma das minhas preferidas, dentre as inúmeras das quais sou apaixonada.

    Essa flor que foi o destaque do belíssimo cenário do filme na Rússia e que eu achava que era uma flor típica daquele país é, na realidade, uma planta originária da América do Norte. Conhecida como “flor do sol” por ser heliotrópica, ela gira o caule posicionando a flor em direção ao sol para crescer e florescer. Todas as manhãs o girassol busca o sol e mesmo em dias nublados, apesar da dificuldade, persiste em girar em direção à luminosidade.

    Por simbolizar a felicidade e por conta da sua cor vibrante (amarela e tons de laranja das pétalas), refletindo a energia positiva que emana do sol, o girassol foi escolhido, em 2019, como símbolo da Campanha “Na Direção da Vida – Depressão sem Tabu”.

    Essa campanha, promovida pela Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA), pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) e pela Upjohn (empresa farmacêutica), tem por finalidade incentivar as pessoas a discutirem sobre a depressão e a prevenção do suicídio. Na página https://www.depressaosemtabu é possível encontrar diversas informações sobre a depressão, como ela se relaciona com os casos de suicídio e sinais para os quais devemos ficar atentos.

    De acordo com o Instituto Cactus, uma em cada cinco mulheres apresentam Transtornos Mentais Comuns (TMC) no Brasil, sendo que a taxa de depressão é, em média, mais do que o dobro da taxa de homens. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ser mulher perpassa papéis, comportamentos, atividades e oportunidades que determinam o que se pode experimentar ao longo da vida e, portanto, estabelece vivências estruturalmente diferentes daquelas experimentadas pelos homens.

    A instituição também aponta que a incidência é ainda maior em mulheres com alta sobrecarga doméstica, acometendo 1 a cada 2 mulheres. A baixa qualidade do emprego que atinge diversas mulheres, com predomínio da informalidade, pode gerar temor e ansiedade, cenário que pode piorar quando somado ao trabalho em casa, onde as mulheres têm de administrar o trabalho remunerado e tarefas domésticas. Além disso, padrões irregulares de carreira, tempo fora do mercado de trabalho para cuidar dos filhos e para o trabalho de casa, licença maternidade, doenças físicas e questões de saúde mental podem afetar a percepção sobre a disponibilidade e comprometimento da mulher, sobre a qual se baseiam muitas contratações, levando à discriminação e exclusão do mercado de trabalho.

    Fiquei impressionada com essas informações porque eu acredito que nós, mulheres, em algumas fases de nossas vidas passamos por circunstâncias extremamente complicadas e temos consciência do quanto isto afeta as relações interpessoais e a produtividade no trabalho, causando-nos enormes sofrimentos. A vida, como sabemos, é cheia de encantos, mas também tem seus desencantos. Eu, particularmente, já passei por vários transtornos emocionais e por compreender como é fundamental preservar a saúde mental, procurando manter um porte ereto e imponente como o girassol, que busca incansavelmente a luz solar, considero importante compartilhar campanhas que tem por objetivo levar informações e mensagens positivas porque, sem dúvida alguma, conforme o lema deste ano da Campanha Setembro Amarelo, “a vida é a melhor escolha“.

    ~ Bia ~

  • Por que Setembro Amarelo?

    Fonte: Fine Art America

    Se eu tivesse que definir uma cor para o mês de setembro, a primeira cor que viria em minha mente seria o verde. Por que verde? Porque essa cor simboliza, pelo menos para mim, a bandeira nacional sempre presente na comemoração alusiva à independência do nosso país, no dia 7 de setembro. Além disso, no dia 21 comemoramos o dia da árvore e a copa da maioria das árvores que eu conheço são verdes.

    Mas… Por que Setembro Amarelo?

    Como falei no post anterior, Setembro Amarelo é uma campanha dedicada à prevenção do suicídio. Essa cor não foi escolhida por acaso. Ela foi escolhida por causa dessa pequena história que vou contar para vocês.

    Em 1994, Mike Emme, um jovem de apenas 17 anos que morava nos Estados Unidos cometeu suicídio. Ele era um rapaz com habilidade mecânica e ao fazer a restauração de seu automóvel, um Ford Mustang 1968, pintou-o de amarelo. Por gostar tanto do seu carro amarelo e ajudar as pessoas, era carinhosamente conhecido como “Mustang Mike”. 

    No entanto, seus pais e amigos não foram capazes de perceber que Mike tinha sérios problemas psicológicos e não conseguiram evitar a sua trágica morte. 

    Os amigos de Mike se reuniram para confortar a família e a mãe de Mike pediu que eles fizessem lembranças para honrar a memória do filho. Os amigos, prontamente, decidiram que o amarelo seria usado em homenagem ao Mustang amarelo.  

    No funeral, seus amigos distribuíram cartões com fitas amarelas com mensagens de apoio para as pessoas que estivessem enfrentando o mesmo desespero de Mike. Essa ação ganhou grandes proporções, expandindo-se por todo o país, sendo a mola propulsora para um importante movimento sobre a prevenção ao suicídio pois, a partir de então, diversos jovens passaram a utilizar cartões amarelos para pedir auxílio às pessoas.  

    Em função desse triste acontecimento, a fita amarela em semi laço foi adotada como símbolo da campanha que incentiva aqueles que têm pensamentos suicidas a buscarem ajuda.

    Ao longo dos últimos anos, escolas, universidades, entidades do setor público e privado e a população de forma geral se engajaram neste movimento que se estende de norte a sul do Brasil. Durante o mês de setembro, podemos encontrar alguns locais públicos iluminados com  a cor amarela. Monumentos como o Cristo Redentor (RJ), o Congresso Nacional e o Palácio do Itamaraty (DF), o Estádio Beira Rio (RS), o Elevador Lacerda (BA), o MAC – Museu de Arte Contemporânea (RJ) e até mesmo times de futebol, como o Santos FC, Flamengo e Vitória da Bahia, participam ou já participaram da campanha. Um dos pontos relevantes é promover eventos que abram espaço para debates sobre o suicídio, divulgando o tema e alertando a população sobre a importância que devemos ter em relação à saúde mental. 

    Podemos, também, participar desta campanha pois postagens nas mídias sociais, caminhadas, passeios ciclísticos, roupas amarelas ou simplesmente o uso de laço no peito despertam a atenção e contribuem para a conscientização. É importante divulgarmos que “tá” tudo bem em não estar bem e que juntos somos, realmente, mais fortes!!!

    ~Bia ~

  • Setembro Amarelo: juntos somos mais fortes

    Fonte: Setembro Amarelo

    O mês de setembro registra uma série de datas importantes sendo que um dos principais feriados nacionais é o Dia da Independência, comemorado no dia 7 de setembro. 

    Além desse feriado, no mês de setembro comemoramos no dia 8 o Dia Mundial da Alfabetização, cuja data foi instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas) e pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no intuito de destacar a importância da alfabetização em uma sociedade, conscientizando a população de que a alfabetização não está apenas relacionada ao fato de saber ler e escrever mas à possibilidade de acesso a informações importantes como, por exemplo, à saúde e aos direitos dos indivíduos.

    Comemoramos também o Dia da Árvore no dia 21, o Equinócio da Primavera que será comemorado este ano no dia 22 de setembro e o Dia Nacional do Surdo no dia 26. Acerca dessas datas e de outras datas interessantes que são comemoradas em setembro farei um post mais pra frente, mas hoje vou falar, especificamente, sobre uma data que merece nossa especial atenção.

    Trata-se do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio que é oficialmente comemorado no dia 10 de setembro. No Brasil, o Centro de Valorização à Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) organizam, desde 2015, uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio conhecida como “Setembro Amarelo“. Essa campanha que é atualmente a maior campanha anti estigma do mundo e ocorre anualmente de 1 a 30 de setembro, é extremamente relevante, uma vez que o suicídio é um grave problema de saúde pública e pode, muitas vezes, ser evitado.

    Segundo os organizadores, o lema deste ano é “A vida é a melhor escolha!” e diversas ações já estão sendo desenvolvidas pois infelizmente o suicídio é uma triste realidade que atinge o mundo todo, gerando grandes prejuízos à sociedade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os dados registrados na última pesquisa, realizada em 2019, são alarmantes, sendo que só no Brasil são aproximadamente 14 mil casos por ano, ou seja, em média 38 pessoas cometem suicídio por dia. 

    Sabendo-se que esses casos estão, em sua grande maioria, relacionados às doenças mentais não diagnosticadas ou tratadas incorretamente e que poderiam ser evitadas, é necessário falar sobre o assunto, ainda que visto como tabu, para que as pessoas que estejam passando por momentos difíceis busque ajuda e entendam que a vida sempre vai ser a melhor escolha.

    É fundamental que as pessoas próximas saibam identificar quem está depressivo, pensando em terminar com a própria vida e ajude, escutando-a sem julgamentos, demonstrando empatia e principalmente orientando-a para que tenham um acompanhamento psicológico.

    Se você conhece alguém que está passando por alguma dificuldade ou se você acha que está tendo problemas relacionados à sua saúde mental a ponto de chegar a considerar o suicídio, procure ajuda entrando em contato com o Centro de Valorização à Vida (CVV) pois eles atendem de forma voluntária e gratuita todos que precisam conversar, mantendo um serviço totalmente sigiloso: https://www.cvv.org.br/ 

    A Campanha Setembro Amarelo salva vidas!!!

    Ah, se você gostou desse artigo, no próximo post vou falar sobre a Origem do Setembro Amarelo. Aguardem! 

    ~ Bia ~

  • “Sessentei” e me assustei…

    Difícil acreditar que o tempo passou tão rápido e entrei, como num passe de mágica, na casa dos sessenta. Na medida que a “ficha está caindo” e vejo meus cabelos já grisalhos, venho me dando conta de que cheguei numa fase da vida cujo texto, tão bem delineado por Elaine Matos, reflete profundamente a minha existência nesse momento.

    De repente

    De repente tudo vai ficando tão simples que assusta. A gente vai perdendo as necessidades, antes fundamentais e que hoje chegam a ser insignificantes. Vai reduzindo a bagagem e deixando na mala apenas as cenas e as pessoas que valem a pena. As opiniões dos outros são unicamente dos outros, e mesmo que sejam sobre nós, não tem a mínima importância. Nada vai mudar.

    De repente passamos a valorizar o que tem valor de verdade e a amar de forma diferente de todas já vividas. Vamos abrindo mão das certezas, pois com o tempo já não temos mais certeza de nada. E, de repente, isso não faz a menor falta, pois o que nos resta é ser apenas feliz. Percebemos que o hoje é apenas agora, e nada, absolutamente nada além disso. Paramos de julgar, pois já não existe certo ou errado mas sim a vida que cada um escolheu experimentar. 

    De repente não existe pecado, mas sim ponto de vista. O improvável passa a ser regra. O extremo passa a ser meio termo, pois no dia a dia percebemos que nada é exato e tudo chega a ser inconstante demais para ser determinante ou absoluto. De repente o inverso vira verso. Por fim entendemos que tudo que importa é ter paz e sossego. É viver sem medo e simplesmente fazer algo que alegra o coração naquele momento. E só.

    De repente a saudade se torna um sentimento devastador e descobrimos que o coração fala mais alto, então este sentimento único e profundo fica acima de qualquer razão.

    De repente tentamos compreender sentimentos jamais compreensíveis aos olhos de outras pessoas. Descobrimos o verdadeiro valor da verdade e com ela chega a plena certeza de que ter dignidade, transparência e retidão de caráter são qualidades obrigatórias para se viver bem com os outros, com o mundo e, principalmente, consigo mesmo.

    De repente descobrimos que os planos traçados e escolhidos por nós são unicamente nossos, pois de repente, em meio aos nossos planos, chegam as escolhas de Deus.

    (Elaine Matos)

    Enfim, de repente “sessentei” e me assustei!!!

    ~ Bia ~

  • Três, dois, um… Começando!!!

    Fiz uma breve descrição sobre a minha pessoa no sobre a autora mas como este é o meu primeiro post, acho interessante falar um pouquinho mais a meu respeito.

    Mais de 30 anos se passaram desde que fiquei sabendo que a minha filha Dani era surda e de lá pra cá, obviamente, muitas e muitas coisas aconteceram.

    Entre idas e vindas, moro atualmente no Japão com meu marido Milton (somos descendentes de japoneses) e minhas filhas moram no Brasil.

    Dani é casada com Murilo que também é surdo e tem um filho, Léo, que acabou de completar 2 aninhos e por não ser surdo, é “coda” (filho ouvinte de pais surdos). Paty, a caçula, é casada com Joy e tem 2 filhos: Yan com 2 anos e Lia com 2 meses que acabou de chegar para alegrar ainda mais nossas vidas.

    Feita as devidas apresentações, neste post vou explicar melhor sobre o título do blog: nem tudo são flores!!!

    Sempre gostei muito de ler e ter um blog ou até mesmo escrever um livro, é um projeto que está engavetado há muitos e muitos anos. Tinha esperanças de que, em algum momento, colocaria esse plano em ação, mas estava sempre absorta em outras prioridades e o tempo, ah… esse tal de tempo foi passando!

    Enfim, agora que o mar está aparentemente mais calmo, espero navegar “por mares nunca dantes navegados” como dizia Camões, e viajar nesse novo projeto que é postar diversos conteúdos que possam, através de mensagens positivas, contribuir para o bem estar físico, mental e espiritual de todos, especialmente das mães que, assim como eu, têm filhos com alguma deficiência e estão constantemente se empenhando para que eles possam ter, como eternizou o escritor Érico Veríssimo, um lugar ao sol!!!

    Ao mostrar para a Dani o título que eu havia escolhido, ela me perguntou:  por que “nem tudo são flores”? Expliquei que essa expressão tem muito a ver com a nossa vida pois nem tudo acontece (ou aconteceu) como a gente quer (ou queria), sendo que estamos o tempo todo lidando com incertezas e desafios mas que, com persistência, fé e acreditando em dias melhores, tudo dá (e deu) certo no final das contas. Após compreender que essa expressão encaixa perfeitamente nos conteúdos que pretendo postar, decidimos que esse seria o título mais adequado para o nosso blog. Digo nosso porque muitos conteúdos serão sobre os surdos e demais deficiências e ela vai me ajudar a desenvolver vários temas sobre esse assunto.

    Como estarei citando e divulgando obras de diversos autores e suas respectivas publicações, além de citar os sites onde faço as minhas pesquisas no Google e os canais do Youtube que me ajudaram e continuam me ajudando a transpor os obstáculos pelos quais temos que passar, vou encerrar este post com esta mensagem:

    Aprendi que nem tudo são flores, nem todos os dias têm sol. Mas não há tristeza que não passe, nem felicidade que dure para sempre. Os dias nublados vão vir, as flores vão murchar, mas depois a primavera certamente vai chegar! Um dia eu descobri que a vida vale a pena ser vivida e aproveitada ao máximo, independente das circunstâncias. Sempre haverá um novo dia, uma nova chance, um novo amor, uma nova oportunidade… Mas a vida, essa é única! (Autor Desconhecido)

    Simmm… a vida, essa é única!!!

    ~ Bia ~